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13 de maio: Carmelo de Coimbra vive alegria dupla
15.05.2017
13 de maio, 7h45. Encaminhamo-nos para o Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra. No caminho, cruzamo-nos com dezenas de rapazes e raparigas que acabam a noite de Queima das Fitas e regressam a casa. Muitos de copo de cerveja na mão.
Na rua de Santa Teresa, o ambiente é mais calmo. A porta da igreja do Carmelo abre-se para deixar entrar os que querem participar na celebração da Eucaristia, como todos os dias, às 8h00.

Celebração da Eucaristia com profissão simples de uma Irmã.
A celebração da Eucaristia é simples, como todos os dias. Difere apenas a presença do superior dos carmelitas descalços, Pe. Pedro Lourenço Ferreira, e um motivo de festa para esta comunidade. A prioresa, Irmã Ana Sofia, explicará mais tarde: «Este é um dia muito especial. Temos muitos motivos para estar felizes e agradecer a Deus. No Carmelo de Santa Teresa estes dias 13 de maio e 13 de outubro são sempre dias muito especiais. Tivemos a graça de partilhar estes dias com a Ir. Lúcia por muitos anos. Era sempre uma grande alegria. E este ano, junta-se também o motivo de ação de graças a Deus da alegria da canonização dos pastorinhos, a alegria da presença do Santo Padre e outro motivo de ação de graças na nossa comunidade que é a profissão simples que deu hoje o sim a Deus como os pastorinhos há 100 anos.»

A Ir. Ana Sofia é a prioresa do Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra.
A Ir. Marina de Jesus e do Coração Imaculado compromete-se com a pobreza, castidade e obediência durante um ano. São os primeiros votos, depois de alguns anos no Carmelo. A jovem tem o nome da Ir. Lúcia: «de Jesus e do Coração Imaculado». A Ir. Ana Sofia diz que há «acasos que não são bem acasos».

Esta comunidade de vida contemplativa tem mantido atenção ao que se passa em Fátima, a cerca de 100 km. Nestes dias de grandes festas, a Ir. Ana Sofia conta que seguiram tudo pela internet. «Começámos assim que o avião do papa chegou a Portugal. Acompanhámos tudo até à chegada à Capelinha das Aparições. Fizemos uma pequena pausa para ir rezar e jantar. Voltámos à noite para a procissão das velas e o terço», revela. Nestes dias, a rotina habitual do Carmelo muda bastante, mas «é muito bonito e significativo e é muito especial». Um acompanhamento em oração e comunhão. A prioresa diz que «é um motivo grande que nos une em Igreja e que mos une ao representante de Cristo na terra e a muitos milhares de portugueses. É uma forma de estarmos lá presentes».

A Ir. Lúcia entrou para o Carmelo em 1948.Carmelitas contagiadas por Ir. Lúcia
A Ir. Lúcia viveu no Carmelo de Santa Teresa durante 57 anos, até à sua morte em 2005. Muitas das irmãs que ainda lá estão conheceram-na e ouviram contar muitas histórias daqueles anos das aparições e depois. Assistir à canonização do Francisco e da Jacinta é uma grande alegria. «A Ir. Lúcia trabalhou muito na fase diocesana no processo. Pôde testemunhar como ninguém as virtudes heroicas dos primos. Nós acabámos por ser um bocadinho contagiados por este carinho e este amor e admiração que ela nutria pelos seus primos», afirma a Ir. Ana Sofia. E se a mais velha dos três pastorinhos estivesse viva? «Estaria exultante de alegria. Esteve connosco em 2000 quando foi a beatificação e foi uma alegria imensa. Hoje é ainda uma alegria maior porque á a confirmação. É a Igreja que diz que viveram como santos. é motivo de ação de graças e de alegria.»

O processo diocesano da Ir. Lúcia ficou fechado em fevereiro deste ano. As irmãs do Carmelo trabalharam muito nele e estão confiantes. «Não temos dúvidas nenhumas de que ela foi uma pessoa muito especial e que viveu de uma forma muito fiel a Deus. O que podemos testemunhar e o que vimos é que o sim dela dado há 100 anos foi o mesmo que ela viveu todos os dias da vida dela, até ao último suspiro: “Sim, quero oferecer-me a Deus; Sim, quero sofrer pela conversão dos pecadores.” É isso que nos dá grande convicção da santidade da Ir. Lúcia. Foi uma pessoa completamente entregue a Jesus e a Nossa Senhora.» Agora o processo está em Roma e as irmãs esperam «que tudo se conclua esta fase e que as virtudes heroicas sejam aprovadas».
 
Reportagem e fotos: Cláudia Sebastião
 
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