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A beleza das diferenças
04.12.2017
Nestes tempos dos algoritmos das redes sociais e dos motores de busca, cada vez valorizo mais as diferenças de opinião. Sabemos que as novas tecnologias e a internet nos mostram aquilo que vemos mais e de que os nossos amigos mais gostam. Ficamos assim mais vulneráveis e pobres. É confortável e bom pensar que há mais pessoas como nós, com os nossos ideais, religião e modo de vida. Mas torna-se pobre porque nos fechamos mais.

Quantas vezes nesses grupos de que fazemos parte nas redes sociais a discussão azeda e se discutem ninharias quando o que une as pessoas é tão mais importante? Quantas vezes damos connosco espantados sem saber como algo pôde acontecer legislativamente ou socialmente porque fechámos os olhos aos que pensam de forma diferente. Não por mal ou de forma intencional, mas porque não nos cruzámos com eles nem com essa informação.

Eu cá gosto de pessoas que pensam de forma diferente. Recordo com muito carinho um colega de trabalho. Muito humano e cheio de valores, mas tão diferente de mim: anarquista, contra qualquer religião. Hoje em dia, ainda tenho saudades das nossas conversas. De como me estimulava intelectual e humanamente tentar perceber porque pensava daquela forma, questionar-me sobre como eu vivia e porque defendia o que defendia. Tínhamos conversas muito interessantes.

Aceitar pessoas diferentes de nós e dialogar com elas não nos “estraga” nem obriga a mudar a nossa forma de pensar, aquilo em que acreditamos ou quem somos. Acrescenta, abre horizontes, estimula. Isto, claro, se olharmos e ouvirmos de coração aberto e sem quatro pedras na mão. Neste Advento, façamos este caminho de abertura ao outro, sem críticas e de coração aberto. Tentemos olhá-lo como irmão, filho de Deus, mesmo que não-crente. Recordando as palavras do Papa Francisco no Bangladesh: «Quando tens vontade de falar mal de alguém, é melhor que mordas a língua, talvez ela inche, mas não farás mal a ninguém.» E também Pitágoras: «Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te.»