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«A cultura da morte está aí»
23.09.2016
Manuel Martínez-Sellés, autor do livro E Deus fez-Se célula, afirma que há várias ameaças à vida, desde o aborto à eutanásia. Na conferência de lançamento da obra, esta sexta-feira, em Lisboa, o cardiologista disse que «a cultura da morte está aí» e justifica a afirmação: «Na Europa, uma em cada quatro gravidezes acaba em aborto. Há países em que uma em cada duas mulheres vai abortar. Como é que é possível? Há muitas mulheres enganadas.»



O médico explica que muitas mulheres ingoram «que o coração do bebé já bate, que não é apenas um monte de células, que muitas destas mulheres sofrem psiquicamente com o aborto». Para Manuel Martínez-Sellés, é preciso dar informação às mães, definir a vida como algo positivo e um dom, rezar por quem está a ponderar fazer um aborto. Mas mais importante é «falar com as mulheres e apoiá-las».

O médico defende que «o aborto é um crime, é um assassinato. E em Espanha, passou de um crime a um direito». Manuel Martínez-Sellés chama a atenção também para os abortos que muitos desconhecem: os que resultam das técnicas de procriação medicamente assistida. «Toda a fertilização in vitro implica aborto eugénico, escolhem-se os mais fortes os que têm mais hipóteses de sucesso. Os outros matam-se, congelam-se (um terço morre nesse processo) ou vão para investigação», explica. Mas há quem fale em aborto pós-nascimento. Manuel Martínez-Sellés fala de investigadores que questionam: «Porque é que não havemos de matar bebés até aos dois anos? Quando li o artigo pensava que os autores diziam isto para provocar. Mas eles defendiam mesmo essa posição. É para ver onde estamos a chegar. Na Bélgica, já foi aprovada a lei que permite a eutanásia infantil. A cultura da morte está aí.»

O livro E Deus fez-Se célula parte da constatação de que «Deus quando Se encarnou, encarnou numa célula. A humildade de Nosso Senhor é tanta que Se transforma na forma mais frágil da vida humana». Isto obriga à defesa de toda a vida desde a fecundação, início da vida. «A primeira implicação é o enorme amor que Deus nos tem. Isto tem uma implicação direta que é o enorme respeito que se deve ter pela vida humana. Todos os homens são homens desde o momento da fecundação. Qualquer embrião merece o máximo respeito», defende o autor. Manuel Martínez-Sellés lembra que, em 2011, o Tribunal Europeu de Justiça determinou que o início da vida humana é o momento da fecundação.

A apresentação do livro ficou a cargo de António Pinheiro Torres que diz ter lido «o livro de um fôlego». Com entusiasmo, salienta que a obra é necessária por ser «um argumentário» que quem defende a vida pode e deve ter à mão. Além disso, o vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida afirma que é um bom meio de informar e formar os jovens, numa altura em que os ataques à vida continuam a acontecer. «Temos uma lei do aborto que data de 2007 e temos18 mil abortos por ano, uma em cada cinco gravidezes em Portugal termina em aborto.»



Para a luta em defesa da vida, António Pinheiro Torres convoca todos: «A questão da dignidade humana era uma fronteira que ninguém punha em causa mesmo não sendo religioso. Mas hoje em dia estas fronteiras recuaram para a fronteira das Igrejas. É verdade que esta batalha não é uma batalha religiosa, mas não se faz se os católicos lá não estiverem.»

Dina Matos Ferreira, professora universitária, salienta que «o autor é um homem de fé e é por ser homem de fé que escreveu este livro». A amiga do autor leu a obra e conclui que «se Deus Se quis fazer homem, fazendo-Se célula, o embrião não é um ser humano em potência».

O diretor editorial da PAULUS Editora salienta que E Deus fez-Se célula «de dimensão é pequenino mas profundo e belo». O Pe. José Carlos Nunes afirma que Manuel Martínez-Sellés «pretendeu tratar do tema da origem da vida numa perspetiva de fé, mas também científica».

Manuel Matínez-Sellés é casado e tem sete filhos. É médico cardiologista, professor universitário, presidente da secção de Cardiologia Geriátrica da Sociedade Espanhola de Cardiologia e vice-presidente do Comité de Ética do Hospital Universitário Gregorio Marañon. Recebeu vários prémios nas áreas de cardiologia e bioética. O autor é Doutor em Medicina e Cirurgia, Mestre em Desenho e Estatística em Ciências da Saúde e Especialista Universitário em Pastoral Familiar.
Texto: Cláudia Sebastião
Fotografias: António Miguel Fonseca

 
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