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A Fátima de Francisco
12.06.2017 09:00:00
Foi fascinante contemplar a mensagem de Fátima pelos olhos do quarto Papa que a visita. Francisco, que no centenário de 12 e 13 de maio de 2017 quis ser «com Maria, peregrino na esperança e na paz», trouxe o seu estilo particular ao grande tesouro espiritual que é Fátima. Os seus ensinamentos, que agora devemos estudar com cuidado, constituem preciosos contributos para todos nós.

Deu-nos logo uma nova fórmula de consagração, feita à chegada na Capelinha, pelas 18h15 do dia 12. Nesta bela meditação sobre a Salve Rainha, o Papa identifica-se com o «bispo vestido de branco» que é morto na visão da terceira parte do segredo, relacionando-o com a veste branca do Batismo. A grande prece terminou, em conjunto com o povo, na Oração Jubilar de Consagração.

À noite, na bênção das velas, Francisco quis apresentar uma curta teologia da devoção. Citando Paulo VI, afirmou que «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos». Mas depois perguntou «Qual Maria?» Em resposta, faz mais uma das suas listas de dicotomias, neste caso de boas e más interpretações da figura da Senhora, para encontrar o verdadeiro rosto de Mãe. Será que ela é a «bendita por ter acreditado (cf. Lc 1, 42.45) sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma “Santinha” a quem se recorre para obter favores a baixo preço?» A missa depois do Terço, celebrada pelo cardeal-secretário de Estado, também teve um belo sermão sobre a oração e o seu impacto na vida.

O centro da mensagem desta peregrinação está, sem dúvida, na breve homilia da missa de dia 13, que foi a missa de canonização. Dominada pelo grito «Temos Mãe!», o Papa incita-nos a seguir os novos santos Francisco e Jacinta, sendo «uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um». O amor é o nosso próprio sustento, pois «a vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida». Isto vê-se especialmente bem nos momentos difíceis, em que a companhia d’Aquele que se fez um de nós é determinante: «Quando passamos através de alguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.» A conclusão é o apelo a que «sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador».

Perante os doentes que abençoou com o Santíssimo, o Papa disse: «Hoje, a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta que fez, há cem anos, aos pastorinhos: “Quereis oferecer-vos a Deus?” A resposta – “Sim, queremos!” – dá-nos a possibilidade de compreender e imitar as suas vidas.» A saudação terminou com uma interpelação fortíssima: «Queridos doentes (…) não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja.»

O Papa, visivelmente satisfeito e impressionado com o grande fenómeno de Fátima, fez questão de dizer que «não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas». No domingo, já em Roma, na oração do Regina Coeli, descreveu os grandes momentos da viagem, em especial o silêncio, explicando: «Em Fátima mergulhei na oração do santo povo fiel, oração que flui há cem anos como um rio, para implorar a proteção materna de Maria sobre o mundo inteiro.»