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A Santa dos pobres sobe aos altares
31.08.2016
É possível que não haja pessoa no mundo que não conheça ou nunca tenha ouvido falar de madre Teresa de Calcutá. Qualquer país onde haja alguém a fazer o bem tem a referência desta santa nascida na Macedónia.



Conhecida pela sua dedicação aos mais pobres e necessitados, a sua canonização acontece precisamente no Ano da Misericórdia, uma coincidência feliz que o Papa Francisco não deixará certamente de apontar no dia 4, na Eucaristia a que presidirá e que elevará esta pobre e frágil mulher ao mais alto lugar dos altares da Igreja.

«Acho que se a madre Teresa fosse viva, era uma das pessoas que rivalizava, no bom sentido, com o Papa Francisco. Os gestos do Papa são idênticos aos dela, a forma de ver o mundo é muito parecida. Mesmo nos afetos, quando o Papa dá uma festa a uma criança, a um deficiente, é algo dele, natural, não há marketing. E a madre Teresa era exatamente igual, e gestos de ambos têm muito peso junto das pessoas», conta-nos Luís Santos, jornalista da Agência Ecclesia que escreveu um livro sobre madre Teresa de Calcutá, O Sorriso da Caridade, e conhece bem a vida desta mulher, que não teve uma vida fácil, mesmo dentro da Igreja. «Surpreendeu-me na altura [da investigação e redação do livro] o facto de nem toda a Igreja aceitar os projetos sociais que ela apresentava. Esta mulher que viajou pelo mundo inteiro e só via pobres e necessitados, quando chegava junto a alguns bispos, nem todos a aceitavam», conta o jornalista.



Esta é uma canonização que vai levar uma multidão imensa a Roma e à Praça de São Pedro, mesmo que já tenham passado quase 20 anos da sua morte. «Se colocarmos a imagem dela num quiz ou nas redes sociais, as pessoas identificam-na. Já morreu há umas décadas, mas a sua obra perdura e ela continua a ser muito recordada, como comprova o papel que a sua congregação ainda vai desempenhando», diz Luís Santos.

Esta feliz coincidência com o Ano da Misericórdia não passa também despercebida a ninguém. «Acho que ela cumpriu todas as obras de misericórdia. E principalmente cumpriu-as fazendo. Há dias pensava que neste Ano da Misericórdia temos uma certa bulimia de discursos e palavra e uma anorexia de ações. Há peritos em conferências e palavras, mas que não tornam práticas essas palavras, e a vida das pessoas não se altera. Não foi isso que o Papa Francisco pediu, ele quer obras, e já mostrou ele próprio isso, com algumas visitas que faz e que quase não são faladas. Com a madre Teresa era igual, ela falava muito menos e atuava muito mais. Ela não tem grandes discursos, tem palavras simples, que tocam porque são acompanhadas pela prática das suas ações. Ela é o exemplo da práxis cristã», considera o autor do livro sobre a vida da que agora será santa.
 
Programa das celebrações
Para a preparação espiritual da canonização, as Missionárias da Caridade organizam em Roma uma série de encontros e celebrações.
 
A partir da quinta-feira, 1 de setembro, e até ao dia 7, a Universidade da LUMSA acolherá a «exposição da vida, o espírito e a mensagem de madre Teresa».

Na sexta-feira, 2 de setembro, pela manhã, celebrar-se-á a santa Missa em vários idiomas na Basílica de Santa Anastásia no Palatino. Depois de cada Missa haverá oportunidade de venerar as relíquias da beata Teresa de Calcutá e será possível confessar-se. Pela tarde, os peregrinos poderão escolher entre passar pela Porta Santa ou ver a exposição.
À noite, a partir das 20h30 até as 22h00, está prevista uma vigília de oração com adoração solene, presidida pelo Card. Agostino Vallini, na Basílica de São João de Latrão.

No sábado, 3 de setembro, pela manhã, na Praça de São Pedro, acontecerá uma catequese do Santo Padre. De tarde, na Basílica de Santo Andre della Valle, às 17h00, haverá uma oração e meditação musical em honra da beata Teresa de Calcutá – Mother – composta por Marcello Bronzetti. Depois será possível venerar as relíquias e celebrar Eucaristia às 19h00.

Domingo, 4 de setembro, é o dia da canonização, às 10h00 na Praça de São Pedro, que será seguido pelo Angelus do Santo Padre.

No dia seguinte, 5 de setembro, será a Eucaristia de ação de graças presidida pelo secretário de Estado, o Card. Pietro Parolin, na Praça de São Pedro. Pela tarde, as relíquias poderão ser veneradas na Basílica de São João de Latrão. E, nesse mesmo lugar, poderão ser veneradas durante todo o dia 6 de setembro.

Por fim, nos dias 7 e 8 de setembro, as relíquias poderão ser veneradas na Igreja de São Gregório Magno al Celio. Também será possível visitar o quarto de madre Teresa no Convento de São Gregório.

* Este artigo é um excerto do artigo que saiu na edição de setembro da revista Família Cristã, já nas bancas.

Texto: Ricardo Perna
Foto: iStock
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