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Alepo: «pior que matadouro»
29.09.2016
O Secretário-Geral da ONU denunciou os ataques contra hospitais em Alepo. Ban Ki-Moon usou imagens fortes: «Imaginem um matadouro. Isto é pior. Até um matadouro é mais humano. Hospitais, clínicas, ambulâncias e pessoal médico em Alepo estão a ser atacados sem pausas.»

Na reunião do Conselho de Segurança, Ban Ki-Moon defendeu que quem faz estes ataques na Síria «sabe o que está a fazer» e que se trata de «crimes de guerra». O secretário-geral das Nações Unidas lembra que, de acordo com os dados de uma Organização Não-Governamental, 95% do pessoal médico de Alepo fugiu, foi preso ou morto. Ban Ki-Moon apelou a uma ação do Conselho de Segurança: «A lei internacional é clara: profissionais, instalações e transportes médicos devem ser protegidos. Os feridos e doentes – civis e combatentes – devem ser salvos. Os ataques contra hospitais são crimes de guerra.»
 
A situação em Alepo agrava-se a cada dia que passa. A UNICEF, agência das Nações Unidas para as Crianças, diz que, desde sexta-feira, já morreram pelo menos 96 crianças e 223 ficaram feridas. O diretor executivo adjunto da UNICEF, Justin Forsyth, não mede as palavras: «As crianças de Alepo estão presas num verdadeiro pesadelo» e acrescenta que «não há palavras para descrever o sofrimento por que estão a passar».
 
Na parte oriental da cidade só há 30 médicos e muito poucos equipamentos e medicamentos. Os feridos não param de aumentar. Os relatos que chegam à UNICEF são aterradores: as crianças com poucas hipóteses de sobrevivência são deixadas para trás. Justin Forsyth afirma que «nada pode justificar tais ataques contra crianças e tamanho desrespeito pela vida humana. O sofrimento – e o choque que provocam nas crianças – é indiscutivelmente o pior a que alguma vez assistimos».
 
Texto: Cláudia Sebastião
Foto: © UNICEF/UN029871/Al-Issa

 
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