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Andrea Bocelli: «Era agnóstico por preguiça»
13.02.2017
De um teatro a outro, de um continente a outro, Andrea Bocelli – na semana em que começaram as filmagens de A música do silêncio, filme sobre a sua vida em que aparece muito rapidamente tal como é na realidade (num cameo, em italiano) – encontrou uma pausa para responder às nossas perguntas.
 
Quando era jovem, definia-se agnóstico. O que é que lembra daquele período da sua vida e porquê aquela escolha?
Na minha jovem suposição, preocupara-me com a complexidade de entender a fé através da razão, e cheguei à conclusão que acreditar ou não era um quesito demasiado grande, muito difícil para poder ser compreendido por uma mente humana. Definindo-me agnóstico, na prática lavava sobre isso as minhas mãos, escondendo-me por detrás de um termo que, na minha ingenuidade e presunção de então, considero fascinante e denso de significado. A minha família tinha-me transmitido aqueles princípios morais que me levavam a ter uma vida bastante respeitosa para com o próximo e genericamente orientada para o bem. Mas considerava erradamente que poderiam ser suficientes para viver uma vida serena.
 
Quando e como entra na sua vida o dom da fé?
Algumas perguntas existenciais, com a idade adulta, voltaram de novo, inquietadoras... Até porque, objetivamente, sem a fé é difícil dar um sentido à vida. Sem a fé, a nossa passagem sobre a Terra é uma tragédia anunciada que, no melhor dos casos, acaba na velhice, na doença e na morte. Então iniciei uma investigação, mesmo espasmódica, que no final, graças a Deus, deu bons frutos. Apercebi-me que, na base de qualquer escolha nossa, estamos perante um cruzamento que leva para direções opostas: uma encaminha-se para o bem; outra para o mal. Conceber uma vida na convicção de que seja o acaso a comandá-la é pouco conveniente, mas também pouco lógico, pouco acertado. Este é um raciocínio elementar que nos leva a ir pela estrada certa, no primeiro e mais fundamental cruzamento, do crer ou do não crer. Eu escolhi o caminho que me parecia mais lógico, aquele que a minha inteligência, por muito limitada, individuava como percurso sem alternativas.
 
Faz parte da comunidade Novos Horizontes. Como entrou em contacto com esta realidade e com a sua fundadora, Chiara Amirante?
Primeiro, alguns amigos meus falaram-me desta comunidade. A seguir encontrei-me casualmente com Chiara, já há muitos anos, em Forte dei Marmi. E após cinco minutos tive a nítida sensação de que nos conhecíamos desde sempre: floresceu instantaneamente uma poderosa amizade, que perdura. Conversando com ela, logo desde o início, compreendi que a sua vida era um percurso extraordinário.
 
Após este encontro tornou-se Cavaleiro da luz. Que significado tem?
Traduz-se em estar constantemente à procura da verdade, sermos apoiantes da verdade. Num certo sentido, sempre percebi esta força: a minha é uma escolha antiga, que poderia resumir na vontade de me encontrar na parte do bem. A experiência de Cavaleiro da luz deu-me sem dúvida maior consciencialização.

 Há já algum tempo disse que procura «colocar Deus à frente do seu eu». Como consegue ter este compromisso quotidiano num mundo como o do espetáculo, feito com frequência de luzes e de aparências?
A vaidade, nas suas múltiplas manifestações e implicações (a arrogância, a soberba, o orgulho, as prevaricações), é um verdadeiro flagelo para o Homem e persegue-nos continuamente. É um vírus presente em todas as literaturas e em toda a cultura do mundo, e naturalmente prolifera no mundo do espetáculo, âmbito claramente em risco. A vaidade é a verdadeira causa das guerras, dos abusos, uma espécie de doença à qual ninguém está imune. É o orgulho, através do qual o Homem crê perceber o próprio poder ser superior aos outros. De facto, todos os sofrimentos sociais e os conflitos encontram a força enfurecedora nesta louca presunção. Para nos libertarmos, é necessário ser vigilantes, controlar o próprio orgulho, prestar sempre atenção a como se vivem as relações com o próximo, para combater continuamente este vírus que nos atinge.
 
Encontrou o Papa Francisco: que sentimentos suscitam em si a obra e a personalidade dele?
É uma bênção para o mundo. Nutro por ele uma sincera e profunda devoção. O Papa Francisco é um homem de Deus, fonte de esperança e de inspiração para todos nós.
Entrevista conduzida por Igor Traboni para Credere
Fotos: Lusa
Leia mais da entrevista na edição de fevereiro da FAMÍLIA CRISTÃ de 2017.
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