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Ano novo, olhar renovado
15.01.2018
Conta-se que o grande artista Miguel Ângelo olhava para um bloco de mármore até vislumbrar as formas da obra de arte que se preparava para realizar, referindo que o seu trabalho se limitava a retirar apenas o supérfluo que envolvia a estátua.

Costumamos entrar no novo ano com um olhar que reluz esperança, como se, por encanto, o virar de uma página ou a troca de calendário fosse o toque de magia que nos dá a inspiração e a motivação de que precisávamos para divisar novamente a beleza do que temos em mãos para aperfeiçoar e concluir ou iniciar algum projeto tantas vezes adiado.

Um olhar genial como o do grande escultor renascentista, no que concerne aos nossos projetos e em relação aos outros, é possível, bastando que nos recordemos mais vezes que somos feitos à imagem e semelhança de Deus, sendo cada um de nós sua obra-prima.

Naturalmente que as capacidades artísticas temo-las em graus muito diferenciados, mas no que toca à leitura da realidade em que vivemos, todos somos capazes de olhar para nós e para os outros sabendo que em todos existe o desejo de se sentir valorizado, aceite, em suma, amado, além do direito objetivo a uma vida digna e respeitada por todos.

Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, dedicada aos migrantes e refugiados, o Santo Padre convida-nos a termos um olhar contemplativo para com estas mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, cruzando-nos, diariamente, com muitas delas. Francisco refere que «este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos».

Saber entrever o bem que cada um tem e que, por vários motivos, não conseguiu extrair é um passo para que se encetem relações de respeito e de concórdia, que nos levam a olhar as mesmas pessoas com olhos novos e os demais com pensamentos de elevação, ainda que, por vezes, alguma ingenuidade tenha um certo preço, mas um lucro imenso na felicidade de quem investe e, muitas vezes, nos resultados de sucesso em quem se investiu. É a mesma “ingenuidade” de Deus, cujo olhar de sabedoria nos conhece e afaga, apesar de tudo, para que, agraciados, possamos enternecer o coração dos outros.

Este ano em que o Papa quis realizar o Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens há que saber proporcionar-lhes referências de vida de dedicação e entrega ao bem e à promoção dos mais carenciados, bem como ouvir os próprios jovens e conhecer a sua leitura de vida. É o que decidimos fazer com a nova rubrica «Igreja Jovem» e também, nesse sentido, procurámos destacar, neste número, o trabalho de instituições reconhecidas, como a UNICEF e o projeto Ubuntu, para formar jovens construtores de paz.

São necessários olhares geniais que saibam olhar o mundo nas suas necessidades, procurando nele as respostas que ainda pode dar no que se refere a equilíbrios naturais e no que toca a questões sociais, para que os governantes estejam do lado da solução que procura salvar o Homem e a “casa comum” que ele habita.

Nessa ordem de ideias, a revista FAMÍLIA CRISTÃ apresenta-se renovada, na forma e nos conteúdos, para procurar corresponder melhor ao desejo de rever os factos na perspetiva que se coaduna com o olhar cristão de ver as coisas.