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D. Jorge Ortiga abre a porta dos sacramentos aos recasados
08.11.2017
O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, afirmou hoje à Família Cristã que a diocese se prepara para criar um grupo de apoio à família, que pode conduzir, «após um período de discernimento bem feito», alguns casais em situação irregular até ao «acesso aos sacramentos», ou o acesso a serem padrinhos e madrinhas que até hoje lhes era negado, ou dificultado.

 
A Arquidiocese de Braga tinha anunciado na sua página de internet a constituição de um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, «que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual», conforme se pode ler lá. Uma decisão tomada ontem «por unanimidade», refere o comunicado, no Conselho Presbiteral, e confirmada agora à Família Cristã por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga.
 
«O que pretendemos é estabelecer um grupo, ou um gabinete, ainda não sabemos bem, de apoio à família», diz o prelado, que acrescenta que as famílias em situação irregular «também estão contempladas, claro».
 
Este grupo que irá acompanhar as famílias será composto por leigos e sacerdotes. «Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas», diz o comunicado da arquidiocese de Braga.
 
D. Jorge Ortiga confirma que todas as situações serão atendidas, e que o acesso aos sacramentos dos divorciados recasados «poderá ser possível, depois de um discernimento, não será uma coisa imediata ou geral, certamente». O Arcebispo de Braga considera que «um período de dois anos» pode ser um bom tempo de discernimento para as famílias em situação irregular, e reafirma que apenas pretende seguir «as indicações do Papa Francisco na Amoris laetitia, nomeadamente no capítulo VIII». «O Papa fala em acompanhamento, discernimento e integração, e é esse caminho que vamos fazer, aqui não há novidade nenhuma, é seguir o que o Papa pede», refere, acrescentando que a indissolubilidade do matrimónio «não tem a ver» com esta questão.
 
O Conselho Presbiteral declarou que pretende «integrar a pessoa na comunidade cristã» após um «verdadeiro processo de discernimento», que conduzirá a «uma conversão, um trabalho sério da consciência». «Há que evitar dar a entender que se trata de uma “autorização” geral para aceder aos sacramentos. De facto, trata-se de um processo de discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja», pode ler-se no documento intitulado “Construir a Casa sobre a Rocha”, que «será divulgado em breve», informa a arquidiocese.

 
O documento que irá ser publicado pela arquidiocese fala ainda, na perspetiva da reformulação da Pastoral Familiar na arquidiocese, da «importância e responsabilidade da Pastoral Familiar na preparação matrimonial e no acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida conjugal».
 
Neste sentido, sugere a «realização de reuniões de casais, retiros, conferências de especialistas sobre problemáticas da vida conjugal e familiar, espaços de espiritualidade, preparação de agentes pastorais para falar com os casais acerca das suas dificuldades e aspirações, escolas de formação para pais, entre outras» medidas que poderão ser colocadas em prática para apoiar todas as famílias.
 
O Arcebispo de Braga não sabe quando estará pronto o gabinete. «Este é um caminho que já estava a ser feito antes, e agora decidimos isto. Mas é como a vida, vamos discernindo, sabendo que o caminho vai ser longo», conclui.
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
 
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