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Cardeal-Patriarca: recusar eutanásia é «questão humanitária e de bem geral»
07.11.2016
Na abertura da 190ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, presidente da CEP e Cardeal Patriarca de Lisboa, criticou quem quer reduzir questões globais como a ideologia de género e a eutanásia a questões «do campo religioso estrito».


Há dias, o Papa Francisco falava sobre a necessidade da sociedade se defender de «colonizações ideológicas» como a ideologia de género, e o presidente da CEP quer que os bispos redobrem «os esforços para consciencializar a todos sobre o que está em causa» neste tema e no da eutanásia.
 
Sobre a eutanásia, D. Manuel Clemente comprova a abrangência do tema citando o Papa Francisco, os últimos cinco bastonários da Ordem dos Médicos, que assinaram uma declaração conjunta na qual referem a «violação grave e inaceitável da Ética Médica (repetidamente condenadas pela Associação Médica Mundial)» e a própria CEP, afirmando «a importância de um vasto trabalho de esclarecimento para o qual queremos dar o nosso contributo. No Ano Jubilar da Misericórdia, recordamos que esta nos leva a ajudar a viver até ao fim. Não a matar ou a ajudar a morrer».
 
Recados internos
Para esta assembleia, que durará até quinta-feira, D. Manuel Clemente realçou a reflexão que irão fazer sobre o Centenário das Aparições de Fátima, que culminará com a publicação de uma carta pastoral sobre o evento no final da reunião magna dos bispos portugueses. «A Carta Pastoral que aprontaremos nestes dias tanto relembra o que aconteceu então e a Mensagem que os Pastorinhos transmitiram, como reforçará nos católicos portugueses e além deles a premência da conversão evangélica em prol dum mundo que, sendo mais para Deus, será mais de todos e para todos», referiu no seu discurso de abertura, perante os bispos e a comunicação social.
 
O início do discurso do presidente da CEP foi mais virado para o interior da própria assembleia, com o reforço da ideia de que os trabalhos da conferência episcopal «são da maior relevância para nós e para as igrejas particulares que servimos». «Na verdade, vivendo a Igreja basicamente como comunhão universal em torno do Sucessor de Pedro e como comunhão local em torno do Bispo diocesano, as atuais circunstâncias sociais e mediáticas exigem uma partilha de reflexões e esforços coincidente com a intercomunicação generalizada», pediu o Cardeal-Patriarca de Lisboa.


 
Neste âmbito da necessidade de trabalho em conjunto poderá estar precisamente o ponto referente à reflexão sobre a exortação pós-sinodal do Papa, A Alegria do Amor, na ordem de trabalhos para estes dias. «Refletiremos sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia e o melhor modo de a receber e aplicar entre nós, a bem do matrimónio e da família. Neste ponto contaremos com a preciosa contribuição do Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, reputado pastor e canonista», informou D. Manuel Clemente. Noutros países, as conferências episcopais refletiram e adotaram estratégias comuns nas diferentes dioceses do mesmo país, como foi o caso da Argentina, que elaborou um documento de boas práticas a ser entregue a todos os sacerdotes do país.
 
Para além destes pontos, os bispos irão ainda abordar, disse D. Manuel Clemente, «o documento sobre a catequese, em cuja preparação intervieram as várias estruturas diocesanas relacionadas, no sentido de a redescobrir sempre mais como “alegria do encontro com Jesus Cristo”», «a pastoral das comunicações sociais no âmbito nacional» e «a apresentação da nova equipa reitoral da Universidade Católica Portuguesa», entre outros. «Serão, portanto, dias plenos de interesse e compromisso, ao serviço da Igreja e do país», concluiu o presidente da CEP.
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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