Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
D. Manuel Clemente pede igreja portuguesa ao «serviço do mundo»
13.11.2017
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, declarou hoje que «é tempo de nos sentirmos parte consciente e responsável duma criação que há de ser tomada como um todo e assim mesmo respeitada nos seus ritmos e sinais». Durante o discurso de abertura da 193ª Assembleia Plenária da CEP, que decorrerá em Fátima até à próxima quinta-feira, o presidente da CEP elogiou a Igreja que, «com os seus pastores, organizações (paróquias, Cáritas, Misericórdias e outras) compartilharam penas e trabalhos e continuam a fazê-lo, para a reconstrução de vidas, habitações e o mais que importa» depois dos incêndios que devastaram o país.

Foto de Arquivo 
A propósito destes, D. Manuel Clemente recordou a nota pastoral de março deste ano, na qual os bispos reforçavam que «é fundamental que todos olhemos a natureza não como uma simples fonte de utilidade e rendimento económico e por isso facilmente sujeita a explorações de tal modo desordenadas que a destroem totalmente. Até mesmo por não nos ser possível viver sem ela, há que respeitá-la e valorizá-la, na sua bondade, harmonia e equilíbrio, como um dom que recebemos e um legado que devemos esforçar-nos por transmitir às gerações futuras». Neste sentido, o presidente da CEP afirmou que é preciso «rever profundamente a nossa relação com o meio ambiente, no sentido daquela “ecologia integral” a que o Papa Francisco dedicou a encíclica Laudato si’, de imprescindível receção teórica e prática».
 
Da proteção do ambiente para a proteção da vida, D. Manuel Clemente fala de um «caminho claro e obrigatório» e saúda todos «quantos dão o seu melhor para defender e promover a vida em todas as suas fases, quer em instituições públicas quer em iniciativas particulares, por motivações confessionais e humanitárias», acrescentando que a nota da CEP sobre a eutanásia «coincide também com posições provindas da sociedade civil, de que destaco, pela especial representatividade, a de cinco sucessivos Bastonários da Ordem dos Médicos: “A Eutanásia, o Suicídio assistido e a Distanásia representam uma violação grave e inaceitável da Ética Médica (repetidamente condenados pela Associação Médica Mundial). O Médico que as pratique nega o essencial da sua profissão, tornando-se causa da maior insegurança nos doentes e gerador de mortes evitáveis”».
 
Pobres, seminários, jovens e Amoris laetitia na ordem de trabalhos
Para além destes temas fortes, estão na agenda de trabalhos dos bispos uma reflexão sobre a nova Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis (O Dom da Vocação Presbiteral), da Congregação para o Clero, que permitirá uma regulamentação mais clara do que são as responsabilidades das conferências episcopais nesta matéria da formação dos sacerdotes, uma reflexão sobre a preparação para o matrimónio à luz da exortação apostólica Amoris laetitia, onde os bispos procurarão trabalhar as «orientações relativas à preparação remota e próxima do matrimónio», informou D. Manuel Clemente, e a apresentação da síntese da CEP ao questionário preparatório da próxima sessão do Sínodo dos Bispos sobre «os jovens, a fé e o discernimento vocacional».
 
Finalmente, e sobre o Dia Mundial dos Pobres, que se celebra este ano pela primeira vez como um Dia Mundial de iniciativa pontifícia, o presidente da CEP pede que se «acolha ativamente, nas nossas comunidades e na sociedade em geral, a mensagem que o Papa deixou para esse dia. «Qualquer destes pontos, sobre a natureza e a vida, sobre os pobres e o seu lugar prioritário no Evangelho e na evangelização, deve ser parte integrante e reforçada nas nossas catequeses, doutrinais e práticas. O mundo de hoje, físico, humano ou social, requer-nos na frente ativa e criativa duma ecologia verdadeiramente integral», concluiu o prelado.

Foto de Arquivo
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
Continuar a ler