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D. Manuel Linda é o novo bispo do Porto
15.03.2018
O vaticano anunciou hoje que D. Manuel Linda será o novo bispo do Porto. O prelado, que ocupava o cargo de Bispo das Forças Armadas e Segurança, substitui assim o falecido D. António Francisco dos Santos, que faleceu a 11 de setembro do ano passado.



Numa mensagem já publicada no site da diocese do Porto, D. Manuel Linda fala de uma «surpresa tão agradável que nem sequer ousava esperar». «A minha nomeação para ir pastorear a Diocese do Porto, agora tornada pública, insere-se nestas felizes surpresas com que Deus tem urdido as teias da minha existência», escreve aos fiéis do Porto.

Agradecendo a «prova de confiança» do Papa Francisco, o novo bispo do Porto relembra a sua formação na diocese e fala para as famílias. «Cumprimento as famílias, sem qualquer dúvida, a célula básica da sociedade e, consequentemente, também da nossa Igreja. Apetecia-me parafrasear o Papa São João XXIII e dizer com a mesma bonomia: dai um beijo aos vossos filhos e dizei-lhes que é o novo bispo quem lho manda», escreve.

O prelado afirma que quer ser «um "missionário da misericórdia", um pastor com "o cheiro das ovelhas", um pai dos Padres, um irmão dos mais pobres e um fomentador do espírito ecuménico e de diálogo. Procurarei reconduzir a Igreja a uma tal simplicidade evangélica que a constitua referencial ético para o mundo actual».

Afirmando que «não é fácil substituir» D. António Francisco dos Santos que, «com a sua proximidade e candura», «foi chorado como um pai» pelos fiéis da diocese, D. Manuel Linda pede que o deixem inserir-se «nessa vinha do Senhor como assalariado acabado de contratar», e afirma que o legado do seu antecessor será tomado «em boa conta».

Às Forças Armadas, diocese que deixa, D. Manuel Linda afirma que «não se deixa sem dor o que se possuiu com amor», citando Santo Agostinho. «Esta mudança de actividade gera no meu interior uma extensa mancha de nostalgia e de saudade, já que, os quatro anos passados no meio castrense criaram relações e enraizaram amizades que não se podem ignorar», afirma na sua mensagem.

O prelado continuará no Ordinariato Castrense como administrador apostólico, a pedido do Papa Francisco, e exorta os militares a que se constituam como «uma das grandes reservas morais da Nação». «E que a sociedade se habitue a respeitar sempre mais quem a serve tão denodadamente», defende.

Os bispos auxiliares do Porto assinam uma nota conjunta de boas-vindas ao novo bispo. «Recebemo-lo como um dom de Deus chegado até nós pela mão do zelo apostólico de Sua Santidade, a quem significamos a nossa gratidão», afirmam os bispos. Ao novo bispo, afirmam «a sua disposição em colaborar, com lealdade e filial obediência, com o Bispo agora chegado», sem indicar ainda a data da tomada de posse do novo bispo, mas fazendo votos de um «fecundo e frutuoso Episcopado».

Dados biográficos
D. Manuel Linda nasceu em 1956, na freguesia de Paus, no concelho de Resende, diocese de Lamego. Estudou no Seminário Menor de Resende, no Seminário Maior de Lamego e no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas, no Porto. Foi ordenado sacerdote em 10 de junho de 1981. Foi pároco, assistente de vários movimentos, reitor do Seminário e capelão. Tem vários cursos superiores: licenciatura em Humanidades, Teologia, Teologia com especialização em Teologia Moral e doutoramento também em Teologia – Especialidade de Teologia Moral.

Em 2009, tornou-se bispo auxiliar de Braga, de onde saiu, em 2013, para a diocese das Forças Armadas e Segurança, sucedendo a D. Januário Torgal Ferreira. Na Conferência Episcopal é vogal da Comissão da Pastoral Social e da Mobilidade Humana.
Enquanto bispo das Forças Armadas e da Segurança, D. Manuel Linda foi condecorado, em fevereiro deste ano, pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas com a Medalha da Cruz de São Jorge. Esta condecoração destina-se a galardoar quem revele «elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais», contribuindo significativamente para «a eficiência, prestígio e cumprimento» da missão do Estado-Maior-General.

Socialmente, D. Manuel Linda tem tido várias intervenções em defesa da vida e de uma economia mais solidária. Ainda recentemente, num encontro com familiares de militares, defendeu «o respeito pela vida humana, em qualquer fase da sua existência e para além de qualquer critério utilitarista». Numa altura em que se tem discutido a legalização da eutanásia, D. Manuel Linda afirmou, de acordo com um comunicado do Ordinariato Castrense, que «a Igreja não seria fiel ao seu Fundador se menosprezasse a vida, se a não defendesse e promovesse, convictamente, desde a conceção até à morte natural». Num encontro sobre o estudo da Cáritas sobre os jovens desafiou-os: «Façam-se ouvir.» Na altura, alertou também para o «problema fortíssimo de distribuição da riqueza».

Na mesma linha, na apresentação do DOCAT, sobre doutrina social da Igreja para jovens, o bispo da Defesa e da Segurança defendeu que os cristãos devem saber falar duas línguas: «quem não falar a língua da fé e dos comportamentos não se safa». D. Manuel lembrou o sonho do Papa de fazer os jovens agirem e revolucionarem o mundo. «Eu também tenho um sonho: confio esse sonho à vossa ação. Deus vos ajude», pediu.

(Em atualização)
 
Texto: Cláudia Sebastião e Ricardo Perna
Fotos: Ricardo Perna
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