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Dar de comer a quem tem fome
01.01.2016
Há poucas mais básicas que comer e beber. Respirar, talvez, mas isso ainda é de borla e não aflige muita gente. Mas comer, e beber, infelizmente não é para todos. Dar de comer a quem tem fome é o mote da vida de voluntária de Marta Antunes, 37 anos, assistente social de profissão, que dedica todo o seu tempo livre no Apoio Fraterno da paróquia da Charneca de Caparica, diocese de Setúbal, onde há um ano ajuda na distribuição de cabazes de comida a cerca de 100 famílias.



São 324 pessoas que são ajudadas todos os meses, porque há quem, em pleno séc. XXI, sofra de fome, por não ter o que colocar na mesa. «O Natal mexe muito com as pessoas e é triste, no dia de Natal, que é tão especial, não termos o que pôr na mesa. Querer juntar a família, mas não poder, porque não temos o que oferecer... é triste, muito triste», diz-nos Marta Antunes, que decidiu dedicar todo o seu tempo livre a procurar evitar que haja pessoas que não tenham comida para pôr em cima da mesa.

«Ontem [a entrevista foi feita no início de dezembro] fomos visitar dois sem-abrigo que vieram de Lisboa para este lado do rio morar num barracão sem quaisquer condições. Mexe muito connosco olhar nos olhos das pessoas e não precisarmos que elas digam muito, porque nos apercebemos logo da sua situação. Fomos logo fazer um cabaz de emergência, para lhes dar alguns alimentos que permitisse que eles se aguentassem até à distribuição mensal do avio», conta.

Estes agentes da misericórdia agem não por eles, mas por Deus, embora as recompensas, essas, fiquem para quem pratica a misericórdia. «Sinto que é por Deus que faço isto. Enquanto voluntária, é dessa forma que penso e trabalho diariamente. Esta é das obras de misericórdia mais elementares e talvez, pode ser pretensão minha, aquela que mais bem-estar e conforto me proporciona também a mim. A sensação de saber que pelo menos o mais básico da pessoa está garantido é muito boa e deixa-me aliviada», confessa esta leiga.

Há dias receberam uma história bem complicada de alguém a quem não podiam deixar de ajudar. «Temos uma rapariga de 21 anos, nova, que assim que soube que estava grávida, o namorado abandonou-a, foi despedida do seu trabalho e foi atropelada. Nós dizemos “o que mais pode acontecer a esta rapariga?” Mas aconteceu. A criança nasceu com um problema nos pés, está constantemente a ser hospitalizada, e foi operada há pouco tempo. Sem apoio familiar, sem nada. É uma situação peculiar, e ela precisa muito da nossa ajuda», sustenta Marta Antunes.

Lembrando que todas pessoas merecem a sua «dignidade», Marta Antunes refere que estes gestos de misericórdia não são para os «pobrezinhos». «Pode ser o meu pai, o meu vizinho, acontece a toda a gente, e todos os casos merecem o nosso respeito» e misericórdia, avisa esta voluntária.

NOTA: Artigo publicado originalmente na edição de janeiro de 2016 da revista Família Cristã.
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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