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Das ruínas das Torres Gémeas surge uma mensagem de reconciliação
12.09.2016
Há 15 anos, dois aviões fizeram colapsar as Torres Gémeas, em Nova Iorque. Mais de 3 mil pessoas morreram quando as torres caíram sobre si, deixando um rasto de destruição e morte que até hoje impressiona os que visitam o memorial criado para homenagear os mortos. É precisamente nesse memorial que se encontra uma das peças mais extraordinárias encontradas nos escombros pelos bombeiros que fizeram o rescaldo das operações nos meses que se seguiram ao 11 de setembro.


 
Joel Meyerowitz é um fotógrafo que acompanhou, durante nove meses, todos os trabalhos feitos pelas equipas que operavam nas duas torres. Em março de 2002, enquanto fotografa, um bombeiro chama-o e entrega-lhe aquilo que afirmava ser mais um artefacto encontrado nos escombros da torre sul. Joel verificou que era uma Bíblia que, com o calor, se tinha fundido com um pedaço de metal do edifício. «Este pedaço de uma Bíblia queimada e coberta de poeira, fundida com o metal, veio das mãos de um bombeiro que sabia que eu era um dos guardiães das memórias daquele espaço», disse Joel Meyerowitz, em declarações citadas pelo New York Times.
 
Mas se o objeto em si era já extraordinário e digno de exposição, a maior surpresa deste fotógrafo veio quando, limpando o pó, se apercebeu da página em que a Bíblia tinha ficado gravada no ferro. «Ouvistes o que foi dito: “olho por olho, dente por dente!” Eu, porém, digo-vos: não vos vingueis de quem vos fez mal. Pelo contrário: se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda!», podia ler-se no capítulo dedicado à justiça e à retaliação. «De todas as páginas em que se podia ter fundido, foi notável que tivesse sido nesta», referiu o fotógrafo.
 
Palavras proferidas por Jesus, há dois mil anos, mas que ecoaram no coração daquele fotógrafo. «O meu espanto ao ver a página em que tinha ficado aberta a Bíblia foi enorme e fez-me perceber que a mensagem bíblica sobrevive à passagem do tempo, e que, em cada era, a devemos interpretar à luz do tempo, conforme a ocasião assim o exigir», referiu Joel.
 
Tantas palavras, tantos capítulos nos quais poderia ter ficado aquela Bíblia fundida no metal. Mas foram as palavras de Jesus no Sermão da Montanha, no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, que ficaram expostas para quem quisesse ler e compreender a mensagem.
O artefacto, recolhido em 2002, foi entregue em 2010 à Fundação 9/11 e pode hoje ser visto no Museu Nacional do 11 de setembro, em Nova Iorque.
 
texto: Ricardo Perna
foto: DR



 


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