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Educação sexual
15.02.2017
A importância da educação sexual vai muito mais além de um projeto-lei ou da exclusiva responsabilidade da escola nesta matéria. Quando falamos de sexualidade referimo-nos fundamentalmente à pessoa e não apenas ao sexo. De facto, o sexo pertence à pessoa e dela retira o valor e o verdadeiro significado. Por isso, falar de educação sexual significa falar de educação integral (não no sentido light, mas completa, que engloba todos os aspetos humanos) e harmoniosa da pessoa, em que a sexualidade constitui um elemento essencial, mas não o único.

A sexualidade não é apenas um dado adquirido, de que tomamos consciência a partir da adolescência, mas é um projeto que se constrói livre e responsavelmente ao longo de toda a existência humana. Daí a necessidade de falar de educação sexual a partir da inteligência, do sentimento e do comportamento. A partir da inteligência para formar uma visão genuína da sexualidade, da sua estrutura, dos seus dinamismos e da sua finalidade. A partir do sentimento para ajudar a perceber o sentir humano e as atrações que a sexualidade nos traz. A partir do comportamento para através das indicações da razão e das normas morais exercer um domínio sobre si mesmo em vista do respeito individual e social.

Para a Igreja qualquer projeto educativo só é possível a partir da perspetiva de uma educação para o amor, pois este é o verdadeiro motor da vida, da felicidade e da realização. Neste sentido, a educação sexual deve ser orientada ao amor, uma vez que é este que dá sentido à vida sexual.

Todo o dinamismo da sexualidade, desde o plano fisiológico até àquele afetivo e espiritual, deve ser orientado para o amor na perspetiva da doação de si mesmo. Só um itinerário pedagógico assim atento às fases de amadurecimento físico-psicológico-espiritual da criança, do adolescente e do jovem poderá ajudar a viver de uma forma responsável as relações humanas e sexuais, mas também a discernir sobre a própria vocação e realização afetiva e sentimental.

Sabemos que o processo educativo da pessoa, em todas as suas dimensões, é cada vez menos uma prerrogativa de determinados ambientes (família, escola, Igreja), mas o resultado complexo da interação de numerosas e contrastantes mensagens e estímulos vindos dos mais variados ambientes (televisão, cinema, internet, amigos). Se queremos que a educação não seja um barco à deriva no meio de uma sociedade já com tantas crises, é necessário o diálogo entre todos e que a escola se torne a consciência crítica da “cidade educativa”.