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«Espero que o Documento final do Sínodo não apareça numa linguagem demasiado eclesiástica»
23.03.2018
A assembleia pré-sinodal que reúne mais de 300 jovens em Roma por estes dias está a ser acompanhada por um staff de sacerdotes e leigos que facilitam o trabalho de reflexão dos jovens. Entre eles está Frei Fernando Ventura, um capuchinho português que está a acompanhar os trabalhos das assembleias gerais como tradutor.


O sacerdote não acompanha os trabalhos nos grupos linguísticos, que dispensam a presença de um tradutor, mas tem falado com os participantes e descreve um momento importante para eles. «Já falei com vários membros de vários grupos, estão contentíssimos de poderem cumprir o que o Papa pediu, de falarem sem filtros, de saberem que devem “partilhar porque é importante que a vossa voz chegue aos bispos e ao Sínodo”, dizia-lhes o Papa», afirma à Família Cristã.
 
Frei Fernando Ventura tem estado nos trabalhos de preparação do Sínodo, e inclusive desta assembleia e destaca dois aspetos que foram sempre muito vincados pelo Papa. O primeiro é «que fossem ouvidos todos os jovens, ele insistiu imenso nisso, quer ouvir os de dentro e os de fora, e estão aqui jovens católicos, não católicos, agnósticos, de outras sensibilidades religiosas, e esta nota ele bateu muito nela, e insistiu na falta de filtro», disse.
 
Depois, o Papa também insistiu na linguagem. «Falar terra a terra, o tu a tu. Ele teve de fazer cambalhotas de agenda para estar cá toda a manhã de segunda-feira, e não era possível ficar mais. Os trabalhos atrasaram-se e ele ficou. A realidade do estilo de proximidade que o Papa quis ter com os jovens, diante deles e com eles, foi de uma abertura total e de uma descontração respeitosa, com toda a liberdade de cada um dizer aquilo que pensa, e é importante que se vá por aqui», descreve este religioso.
 
Um processo deste género não é único, mas o facto de ser feito com jovens torna-o único na história, um «levar a sinodalidade à sua origem». «Não se pode falar de costas para o mundo, a partir do gabinete, tem de se falar a partir do rés-do-chão da história, porque é aí que a história acontece, é aí que as alegrias acontecem, e é aí que os sofrimentos acontecem também e que se constrói igreja, sem excluídos», defende.
 
Até porque, conforme o próprio Papa tem insistido, há lugar para todos na Igreja. «Sem exclusões, e o Papa tem insistido muito nisto, toda a gente tem o direito de ter vez e voz para partilhar o que pensa. A Igreja tem obrigação moral e missionária de estar em diálogo com todos», e esta expressão de sinodalidade demonstra essa vontade.
 
É por isso que também é importante, considera Frei Fernando Ventura, que o documento final que vai sari do Sínodo dos Bispos tenha uma linguagem acessível e seja fruto de um processo «transparente». «Espero que o documento final apareça numa linguagem não demasiado hermética, eclesiástica, e possa tocar os verdadeiros destinatários», os jovens, conclui.

 
Texto e fotos: Ricardo Perna

A FAMÍLIA CRISTÃ está em Roma a acompanhar todos os momentos desta reunião pré-sinodal do Papa com jovens de todo o mundo. Acompanhe tudo na secção especial do nosso site em http://familiacrista.paulus.pt/sinodo-dos-jovens.
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