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Faleceu D. Manuel Martins, o «bispo vermelho»
24.09.2017
D. Manuel Martins, primeiro bispo de Setúbal, faleceu hoje aos 90 anos de idade, anunciou a diocese sadina. «Deus acaba de chamar a si o primeiro Bispo da nossa Diocese de Setúbal, D. Manuel Martins. Faleceu hoje, às 14h05, acompanhado dos seus familiares e após receber a Santa Unção», informa a Agência ECCLESIA, citando uma nota da diocese.


Conhecido como "bispo vermelho", nunca deixou que o apelido o impedisse de seguir o seu trabalho. O seu biógrafo, António Sousa Duarte, conta ao jornal Observador que o vermelho, para ele, significava algo de diferente. «Ele dizia-me: "se é verdade que eu sou o bispo vermelho é porque tenho as mãos manchadas de sangue dos que sofrem, daqueles que eu tento ajudar”», contou o autor ao jornal.

O prelado faleceu na Maia, Diocese do Porto, em casa de familiares.

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, reagiu à notícia com uma mensagem publicada através da sua conta na rede social Twitter: «D. Manuel Martins, descanse em paz. Os pobres e os trabalhadores têm um intercessor no céu».

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Barbosa, lembrou a «profunda humanidade» do bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, que morreu hoje, aos 90 anos de idade. «A profunda humanidade, a atenção permanente às pessoas, a intransigente defesa dos direitos humanos e dos valores evangélicos, a extrema dedicação às gentes de Setúbal durante os seus 23 anos como Pastor da Diocese, os serviços que prestou a toda a Igreja em Portugal permanecem entre nós como intenso testemunho da sua fecunda vida de Pastor», refere o secretário da CEP em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

O padre Manuel Barbosa manifesta a «comunhão de oração amiga para com D. Manuel e a solidariedade para com os seus familiares».

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recorda um homem «sempre atento à luta pela liberdade». «O senhor Dom Manuel Martins, representou, para a Igreja Portuguesa, a projeção da linhagem do senhor Dom António Ferreira Gomes no mundo do trabalho, em áreas sociais particularmente complexas, sempre atento à luta pela liberdade contra a opressão e pela igualdade contra a injustiça. Em homenagem ao princípio da dignidade da pessoa», escreve Marcelo Rebelo de Sousa, numa mensagem divulgada pela Presidência da República.

Uma vida de entrega à missão
D. Manuel Martins foi o primeiro bispo nomeado para a então recém-criada Diocese de Setúbal, onde iniciou o seu ministério episcopal no dia 26 de outubro de 1975.

O falecido bispo nasceu a 20 de janeiro de 1927, em Leça do Balio, concelho de Matosinhos; foi ordenado sacerdote em 1951, após a formação nos seminários do Porto, seguindo-se a frequência do curso de Direito Canónico na Universidade Gregoriana, em Roma.

Pároco da Cedofeita, no Porto, entre 1960 e 1969, D. Manuel Martins foi nomeado vigário-geral da diocese nortenha em 1969, antes de seguir para Setúbal.

D. Manuel Martins foi presidente da Comissão Episcopal da Ação Social e Caritativa, bem como da Comissão Episcopal das Migrações e Turismo, na Conferência Episcopal Portuguesa; foi ainda presidente da Secção Portuguesa da Pax Christi e da Fundação SPES.

No dia 23 de abril de 1998, o Papa João Paulo II aceitou o seu pedido de resignação ao cargo de bispo de Setúbal.

O bispo emérito foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, durante as comemorações do 10 de junho de 2007, em Setúbal, e com o galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República, a 10 de dezembro de 2008.

Em maio de 2015, D. Manuel Martins foi condecorado com a medalha da Ordem de Timor-Leste, pelo papel que teve na restauração da independência deste país.

Em março deste ano, o presidente da República Portuguesa saudou o percurso de vida de D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, que completou 90 anos a 20 de janeiro.
 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia e Observador)
Foto: Diocese de Setúbal
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