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Famílias sagradas de hoje
19.12.2016 09:00:00
Olhando para a realidade que não nos deixa indiferentes, no que se refere ao drama dos refugiados, a FAMÍLIA CRISTÃ quis ouvir a história de uma família de três refugiadas acolhidas numa paróquia em Lisboa. Dela sobressai a fé que acompanha tantos crentes, cristãos ou não, em busca da salvaguarda da própria vida e de como se sentem abençoados por Deus ao percorrerem caminhos assombrados e iluminados, marcados por falsas esperanças e por soluções repentinas como que vindas do céu, segredadas por anjos.

Vivemos o tempo propício à reflexão sobre as famílias que, pela angústia de flagelos e perseguições e pelas respostas inesperadas, se assemelham à mesma, de há dois mil anos, que celebramos na quadra do Natal, em cujo seio o Deus feito homem quis nascer.

Jesus «veio para o que era seu, e os seus não O receberam» (Jo 1,11), quando ainda nem tinha nascido. Nasceu nas circunstâncias que sabemos e não deixou de ser o Filho de Deus, adorado pelos pobres pastores e pelos pagãos magos vindos de Oriente. Logo depois, a Sagrada Família, teve de se refugiar no Egito. Finalmente regressou a Nazaré, terra natal de Maria e José, marcada pelo preconceito de onde nada de bom poderia vir… (Jo 1,46).

Nestas páginas do Evangelho vemos o retrato de tantas famílias que hoje passam pelo drama da emigração forçada por uma vida condigna, ou por tragédias impensáveis na busca de um refúgio seguro para se livrarem da morte certa.

No domingo anterior ao encerramento do Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco afirmou que «Deus não nos abandona nunca. Devemos ter esta certeza no coração.» Foi esse o sentimento que levou Maria e José a percorrer os caminhos sinuosos por onde passava a realização do projeto de Deus. É na correspondência a este projeto que está a perfeição, não tanto nos frágeis e inseguros apoios humanos, pois a bênção de Deus está garantida.

Ainda nesta edição da revista podemos ver como Deus abençoa as famílias que ensinam os filhos a rezar, rezando com eles, desde tenra idade, porque o Espírito sopra onde e quando quer. Também se podem conhecer as situações dramáticas da violência na família onde os pais já idosos se resignam a tanto sofrimento por amor dos filhos, por causa da droga, do álcool, do jogo, etc. E não deixam de ser famílias sagradas, porque Deus não os abandona. Como não abandona os que constituem as suas famílias, fora do modelo religioso e que demandam novas formas de pastoral familiar.

Diz o Papa Francisco na Amoris laetitia, n.º 57: «Dou graças a Deus porque muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor, realizam a sua vocação e continuam para diante embora caiam muitas vezes ao longo do caminho.» A luz divina procura, pois, todas as frinchas para penetrar nos lares e nos corações que os habitam onde «a família poderia ser o lugar da prevenção e das boas regras […]. Observamos as graves consequências da rutura em famílias destruídas, filhos desenraizados, idosos abandonados, crianças órfãs de pais vivos, adolescentes e jovens desorientados e sem regras.» (AL, n.º 51)
Como que um desafio, não esqueçamos que somos Igreja que «sente a necessidade de dizer uma palavra de verdade e de esperança» (AL, n.º 57)

A todos os leitores, colaboradores e amigos, votos de um Natal abençoado da Paz de Jesus.
Fotografia: Ricardo Perna