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Fátima é «porta salvadora» que apela à conversão
24.04.2017
Na mensagem que abre os trabalhos da 191ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), órgão que reúne todos os bispos portugueses, D. Manuel Clemente, presidente da CEP, falou de Fátima, do centenário e da dificuldade de falar em termos «veiculáveis pelos media». «Admito nem sempre ser fácil à comunicação social entender realmente o que está em jogo nas vicissitudes eclesiais ad intra e ad extra; ou faltar da nossa parte a elucidação clara disso mesmo, em termos veiculáveis pelos media», referiu D. Manuel Clemente, na mensagem lida no início dos trabalhos.

 
Foi esta mesma dificuldade que, diz D. Manuel, terá sido sentida há 100 anos pelas três crianças que apareceram a falar à sociedade de «prioridades» bem diferentes das que se viviam na altura. «Num ambiente sociopolítico tão agitado, em pleno conflito mundial, com dificuldades grandes para o decurso normal da vida da Igreja aquém e além-fronteiras, aparecerem três crianças numa serra recôndita, a dizerem o que diziam, insistentemente diziam, e basicamente consistia em apelar à conversão, em mudar de vida, em corresponder aos apelos da Mãe de Cristo, para só assim chegar a paz, para só assim a garantir no futuro – concordemos que não podia ser maior o contraste “mediático” e o confronto das expetativas comuns», referiu o prelado.
 
Mas estes pedidos que os pastorinhos deixaram foram-se tornando «pastoral, como conteúdo e prática marcantes», uma «marca de fundo» que «acabou por tocar muita gente e moldar muita coisa, bem mais do que parece». «Muita gente foi percebendo, também a partir de Fátima, que os grandes desastres humanitários e pessoais têm raiz mais profunda e consequência mais duradoura do que aquilo que imediatamente parece», sustentou.
 
Por isso, D. Manuel traça um paralelismo entre as visões dos pastorinhos do Inferno e as imagens que «não são assim tão diferentes das que os media hoje nos transmitem, a crianças e adultos, de repetidas destruições e carnificinas por esse mundo além» para afirmar que, se fizermos como os pastorinhos, que passaram desse Inferno para o «Coração de Maria, que a graça divina tornou imaculado», e depois para a «estrada íngreme que nos leva à Cruz», chegaremos também à «salvação». «Estes três momentos sucessivos do “segredo” retomam um autêntico itinerário cristão. Constituem absolutamente uma mensagem de esperança», disse na sua mensagem.
 
Sobre a importância do Santuário de Fátima no momento que a Igreja hoje vive, D. Manuel referiu que «abriu-se em Fátima uma “porta salvadora”, pela qual, ainda que estreita, se acede à Fonte que finalmente sacia». «O mais importante de Fátima é o constante caudal de conversões que daqui corre», considera.
 
Os bispos vão estar reunidos em Fátima até dia 27 de abril, numa Assembleia Plenária com eleições para a presidência e as direções das comissões do organismo católico, no triénio 2017-2020. A 191.ª Assembleia Plenária da CEP vai ainda debater uma carta pastoral sobre a Catequese, uma nota sobre os incêndios e a pastoral nas prisões, além de prosseguir a reflexão sobre a Exortação Apostólica ‘Amoris laetitia’, do Papa Francisco, sobre a Família.
 
Em cima da mesa está ainda a celebração do Centenário das Aparições e a visita do Papa em Fátima, a 12 e 13 de maio.

 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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