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«Há muitos eufemismos, mas eutanásia é matar»
07.04.2016

 
No final de mais uma assembleia plenária dos bispos portugueses, D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), referiu que não podemos «eliminar do nosso horizonte o que faz parte da vida, que é também o sofrimento e e as limitações». «Não podemos colocar essas limitações em zonas de sombra, descartáveis, temos de apoiar solidariamente essas vidas», defendeu, em declarações aos jornalistas.
 
D. Manuel Clemente sustentou que «a discussão da eutanásia é semelhante à do aborto». «Se começamos a fazer cortes em termos de coerência, chegamos a situações muito complexas», avisou. Admitindo que este assunto pode mesmo vir a ser legislado - «eu já admito quase tudo hoje em dia», referiu, de forma irónica – o presidente da CEP afirmou que sabe qual é a sua «frente de combate» e que dela «não saio». «Nós cá estaremos como sociedade para retomar a questão e resolvê-la melhor a seguir. Nenhuma solução referendada ou legislada fechará a questão. Vamos esclarecer melhor a nós e aos outros, mas não vamos desistir», disse.
 
Os bispos portugueses querem que o Estado, «que tem os recursos de todos nós para usar, trabalhe para resolver» a questão do pouco acesso a cuidados paliativos que existe na sociedade. «Cuidar, não descartar. Hoje são os outros, amanhã podemos ser nós», sustentou.
 
Questão dos refugiados não pode cair na «poeirada opaca»
Questionado sobre a importância da visita de Francisco e do Patriarca de Constantinopla à ilha de Lesbos, que mais está a ser afetada pela chegada de refugiados, o presidente da CEP diz que «vai ter muito impacto», e relembra a ida do Papa Francisco à ilha de Lampedusa em 2013. «É muito importante não deixar a questão fugir da agenda, sabemos como foi importante a questão de Lampedusa», disse.
 
D. Manuel Clemente avisou que a catadupa «de acontecimentos mediáticos não pode desviar o foco» desta questão. «Quando os acontecimentos vêm em catadupa, ficamos num certo atordoamento onde nada se define, a poeirada é tão opaca que se perde o foco, e manter na agenda é muito importante», considera.
 
Processos breve de nulidade já estão em funcionamento
Os bispos portugueses aproveitaram esta assembleia para refletir e procurar uma forma de atuação «conjunta» no que diz respeito aos processos breves de nulidade matrimonial, que estão ao cargo dos bispos. «É bom que os bispos portugueses conjuguem a sua ação, porque somos 20 dioceses e as pessoas hoje em dia mudam muito de diocese para diocese», disse D. Manuel, que explicou que «não é muito vulgar que apareçam pedidos de verificação da validade do vínculo sacramental, corroborado pelas duas partes... não é assim tao fácil», disse.
Apesar disso, os processos breves já estão a decorrer nas dioceses. Quem permite o acesso aos mesmos são os funcionários do tribunal, que, ao avaliarem o caso, podem considerar que deve passar diretamente para o bispo diocesano, «ou o vigário que atue em nome dele», conforme explicou o presidente da CEP.
 
Exortação vai pôr tónica na preparação para o matrimónio
Amanhã sai a tão esperada exortação apostólica pós-sinodal, «A Alegria do Amor». Não sabendo ainda o que ela irá conter - «só amanhã é que a vou poder ler» - D. Manuel antevê uma forte aposta na «preparação para o matrimónio católico». «Em muitas das nossas sociedades, havia uma coincidência entre matrimónio formal e católico. Nós não vivemos numa sociedade com essa coincidência. O que é o casamento não corresponde à conceção cristã do matrimónio e da família, e por isso temos de preparar as pessoas nesse sentido».
 
Neste sentido, D. Manuel Clemente pede «mais exigência, mais definição das coisas». «Esse é o grande desafio», defendeu.
 
Sobre o que se esperar relativamente aos divorciados recasados, D. Manuel Clemente não fechou a porta a algumas alterações, conforme já tinha defendido em entrevista à Família Cristã antes do Sínodo. «Uma coisa é a afirmação genérica, outra coisa é a verificação caso a caso de responsabilidade, de culpa, da situação de cada um. Vamos ver o que vem da exortação, e como é que este ajustamento entre o que é uma afirmação global e o caso a caso pode funcionar da mesma maneira», afirmou.
 
Texto e Fotos: Ricardo Perna
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