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Leituras eleitorais
03.10.2017
No domingo, os portugueses que foram votar escolheram os seus autarcas. Algumas conclusões se podem tirar:
 
1. O valor de um voto. Nos partidos, costuma dizer-se que a mobilização tem de ser feita até à última. E que por um voto se ganha e por um voto se perde. Em alguns locais, como é o caso de Almada, isso ficou bem claro. Poucas centenas de votos fizeram com que a CDU perdesse uma Câmara que era sua desde 1976.

2. Uma pessoa, um voto e todos valem o mesmo. Por mais que isso possa custar em algumas circunstâncias, cada voto vale isso mesmo: um voto. E o voto do Presidente da República vale o mesmo que o do senhor taxista ou do jovem imberbe. É o princípio central da democracia. Daí que me custe ver a soberba com que alguns criticam escolhas resultantes de votos tão válidos como os seus. O caso mais polémico foi a eleição de Isaltino Morais nestas autárquicas. Pode concordar-se ou não com a eleição e até com a própria candidatura. E há, certamente, medidas legislativas para tomar aí. Mas dizer que quem votou em Isaltino é burro ou mentecapto faz-me lembrar a época em que só votavam os homens e os letrados porque só eles tinham capacidade intelectual.

3. A abstenção-fantasma. O Governo quer proibir jogos de futebol em dias de eleições para diminuir a abstenção. Se o caminho for por aí, mais vale tornar o voto obrigatório e limpar os cadernos eleitorais. É que as pessoas que querem votar vão. Quem não quer, arranja sempre uma desculpa. É assim nas eleições como em tudo na vida. Mas a taxa de abstenção não é verdadeira. Todo o mundo político e académico sabe disso e ainda se fez muito pouco para resolver o assunto. Para estas eleições havia 9.412.461 eleitores. Ora, a população portuguesa era, em 2016, de 10.309.573. É, assim, óbvio que há eleitores-fantasma. Pessoas que faleceram ou emigraram. Claro que há muita gente a quem não interessa limpar os cadernos eleitorais porque o orçamento que recebe é definido em função do número dos eleitores. É o caso das Câmaras Municipais. Mas é algo que é preciso fazer e não se percebe porque ainda não foi feito.