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Mais de 187 mil crianças sírias refugiadas sem escola
23.01.2017
Mais de 187 mil crianças sírias em idade escolar refugiadas no Líbano não vão à escola. Neste país, uma em cada quatro pessoas é refugiada e metade dos refugiados são crianças. Cerca de metade trabalha na agricultura, fábricas, na construção civil ou na rua. As informações são da UNICEF e levaram à produção de um documentário interativo sobre a vida das crianças sírias refugiadas no Líbano.
Um grupo de crianças
Do grupo de cima, estas são as crianças que vão à escola.
#ImagineaSchool (imagine uma escola) tem os testemunhos de 19 crianças sobre o que vivem. O título é da autoria de duas crianças, Assia de 10 anos, e Dyana de 13, que nunca foram à escola.
«Imagino que uma escola seja um espaço muito bonito, com desenhos de raparigas e rapazes nas paredes», disse Dyana. No documentário, pode ver e ouvir-se Jomaa de 14 anos. O rapaz fugiu da Síria com os sete irmãos há quatro anos. Trabalha para ajudar a família. Ganha dois dólares americanos por 12 horas de trabalho. A sua escola na Síria foi destruída por bombardeamentos. «Esqueci como escrever e ler.»

Mohamad tem 15 anos e trabalha para sustentar a família: «Canso-me muito. Trabalho das 8h às 16h. Tenho saudades de ser feliz. Detestava árabe e matemática, mas talvez fosse diferente se pudesse voltar a estudar.»

Sara, de 15, abandonou a escola para tomar conta dos seis irmãos, mas não baixou os braços. «Como não estou a estudar nem a ir à escola, fiz download de 1 APP de línguas em inglês, francês e árabe. Faço isto para não desistir.»

A história de Ali é semelhante. Tem 13 anos. Na Síria, viu dois colegas serem mortos por uma bomba no recreio da escola. Fugiu há cinco anos. «Eu lia e escrevia muito bem na Síria, mas agora esqueci tudo. Agora estou a aprender outra vez.»
 
A UNICEF lança o documentário no início do fórum de Helsínquia sobre a situação humanitária na Síria que decorre até dia 24. Mais de 150 mil crianças sírias refugiadas frequentam escolas públicas no Líbano com o apoio da organização e do Governo do Líbano.
 
O documentário interativo foi filmado no Líbano em 2016, produzido pela UNICEF e por uma equipa da Vignette Interactive. As fotografias são do vencedor da World Press Photo, Alessio Romenzi.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: UNICEF/Romenzi
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