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Matrimónio é ponto central da «Alegria do Amor»
08.04.2016
 Foi publicada hoje a Exortação Apostólica Pós-sinodal A Alegria do Amor. O Papa Francisco elabora, em 325 pontos, aquilo que é a sua visão sobre a família e as suas diversas áreas, contando, e muito, com os contributos dos relatórios finais dos sínodos dos bispos de 2014 e 2015 e com os contributos de alguns bispos do mundo inteiro, um hábito que tem sido recorrente nas suas mensagens, mostrando o consenso que existe entre a visão papal e da Igreja espalhada pelo mundo inteiro.


 
O documento, com data de 19 de março, Dia do Pai, era esperado com alguma ansiedade por todo o mundo católico, embora por diferentes razões. O Papa faz um autêntico tratado sobre a família, as razões da sua existência, a força que possui na construção de uma sociedade de futuro, e a forma como a família e os seus membros devem ser, por um lado, espaço e agentes de evangelização, e por outro acolhidos sem limites na misericórdia de Deus, deixando o aviso dirigido claramente aos pastores e agentes pastorais que nem sempre é possível levar a cabo o ideal de vida proposto por Deus. «Também nos custa deixar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas. Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las», começa por avisar o Papa no ponto 36.
 
Importância do anúncio “positivo” do matrimónio
Grande parte do documento é dedicado ao matrimónio, como seria de esperar. Não só em relação às situações irregulares, o ponto mais mediático, mas sobretudo em relação à forma como a família cristã deve conduzir a sua vida, não por causa de normativos jurídicos, mas porque essa conduta a conduzirá à plenitude do amor de Deus e à felicidade. «Esta exortação adquire um significado especial no contexto deste Ano Jubilar da Misericórdia, em primeiro lugar, porque a vejo como uma proposta para as famílias cristãs, que as estimule a apreciar os dons do matrimónio e da família e a manter um amor forte e cheio de valores como a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência; em segundo lugar, porque se propõe encorajar todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria», pode ler-se logo no ponto 5.
 
Sobre o matrimónio, o Papa inicia a sua exposição com uma postura muito crítica ao que tem sido o trabalho da Igreja em promover este sacramento. «Muitas vezes, apresentámos de tal maneira o matrimónio que o seu fim unitivo, o convite a crescer no amor e o ideal de ajuda mútua ficaram ofuscados por uma ênfase quase exclusiva no dever da procriação», critica o Papa no ponto 36.
O Papa considera que «precisamos de encontrar as palavras, as motivações e os testemunhos que nos ajudem a tocar as cordas mais íntimas dos jovens, onde são mais capazes de generosidade, de compromisso, de amor e até mesmo de heroísmo, para os convidar a aceitar, com entusiasmo e coragem, o desafio do matrimónio», como se pode ler no ponto 40.
 
Defendendo que «o sacramento do matrimónio não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo de um compromisso», mas sim «um dom para a santificação e a salvação dos esposos», Francisco defende que a «decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional».
 
O documento fala também da importância do erotismo na relação conjugal, enquanto «autêntica dignidade do dom», uma área que não se pode «menosprezar». «Não podemos, de maneira alguma, entender a dimensão erótica do amor como um mal permitido ou como um peso tolerável para o bem da família, mas como dom de Deus que embeleza o encontro dos esposos», diz no ponto 152.
 
A exortação continua para além destas matérias, responsabilizando os pais e a comunidade paroquial pela educação das crianças na fé, com exemplos e testemunhos, e dá várias ideias sobre o que deve ser a educação dos filhos, a importância dos castigos, da oração, do exemplo dos pais, terminando a afirmar que «nenhuma família é uma realidade perfeita e confecionada de uma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar». «Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! Aquilo que se nos promete é sempre mais. Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida», conclui o ponto 325.

Texto: Ricardo Perna
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