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Nem tudo o que parece é
30.10.2017
A nossa vida está cada vez mais influenciada por uma lógica publicitária. Jogando com as nossas emoções e inserindo-nos numa estrutura consumista, a publicidade vai-nos moldando e conhecendo as nossas reacções. Palavras como barato, grátis, descontos, promoções, low cost, outlet, last minute chamam a nossa atenção, fazem parte cada vez mais do nosso quotidiano e traduzem uma mentalidade simplista e efémera da vida.

A publicidade foi-se inserindo nas nossas vidas dia após dia, de um modo sistemático, através de sorrisos, alegria, grandes promessas e sensações. Apresenta-nos um mundo em que tudo pode ser comprado e tudo é justificado pelo fim: ter para ser. Neste sentido, inventam-se cenas onde se distraem as pessoas para roubar um biscoito, o estilo jornalístico é usado para vender detergentes, as donas de casa desabafam com as esfregonas, troca-se o céu por uma máquina de café e tantas outras imagens criativas e caricaturadas.

Vivemos numa sociedade maioritariamente publicitária, onde o divertimento e os valores light estão na base da sociabilização e dos interesses gerais. Onde as promessas valem o tempo da antena televisiva e as lutas pelas ideias são transformadas num concurso onde ganha quem disser as coisas mais espetaculares e aberrantes.

Nesta lógica, encontram-se também muitos comportamentos políticos e económicos que prometem uma realidade mas deixam-nos num pesadelo. Que o digam as famílias mais necessitadas, os idosos, as pequenas e médias empresas e as instituições de solidariedade, que todos os dias contactam com a realidade dura e crua e não com um mundo de facilidades e esperança fictícia criado pela publicidade comercial, institucional e política.

Certa demagogia política e social que faz um mundo de promessas, mas que já sabe que as não vai poder cumprir, leva ao descrédito e à falta de confiança. Certos discursos que soam a slogans, mas estão vazios de conteúdo, não ajudam a formar uma consciência cívica. Certas presenças que são mais uma ostentação de imagem do que interesse verdadeiro pelo bem comum são uma distorção do altruísmo.

Não sou contra a publicidade, até vejo nela grande utilidade e criatividade para ajudar os mercados e os serviços a reagirem. Só não concordo com o uso que se faz da publicidade em prol de uma tentação muito antiga que é fazer passar por bom aquilo que é mau.