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Novas searas
03.04.2017
Quando aterro num continente ou num país longínquo, na distância, na cultura, na história, na evolução, sai-me sempre esta pergunta que se enquadra naquilo que é a razão da minha vida: Como terá chegado aqui o cristianismo? Sei, sabemos pela história, algumas coisas acerca de alguns lugares. Há crónicas dos primeiros enviados que se cruzaram com o estranho total, apenas para anunciarem a Boa Nova do Evangelho. Há cartas como as de Paulo, que fez viagem por lugares totalmente vazios de Boa Nova. Mas ali já existia, muitas vezes, um povo milenar com referência vaga ou clara ao religioso. Chamemos uma cultura pagã. Como se processou este salto para o novo e libertador? Não havia, séculos atrás, amplificadores nem meios de comunicação que tornassem praticamente impossível o desconhecimento do que se pensava ou vivia no outro lado do planeta. A globalização, tão acusada como mãe de todos os males, permite hoje, para bem e para mal, o cruzamento de culturas e crenças de todos os quadrantes, apesar de continuar a haver regiões cortadas com o resto do mundo. Mas cada vez menos.

Subsiste, todavia, a pergunta: Como chegou o cristianismo a um lugar inóspito, possivelmente praticante de uma crença estranha, com outro nome e outra conceção de Deus, e sobretudo da Revelação, e se atreveu a proclamar como Boa Nova esse grande acontecimento, chave da história, que foi a vinda de Jesus? Como foi Ele anunciado a ponto de ser conhecida a sua mensagem em grande parte da Terra?

A resposta, “trazida pelo vento”, parece óbvia ao pensarmos nos pioneiros do Evangelho, desde a Igreja primitiva. Paulo que o diga. Foi a fé, a confiança total no Espírito, a coragem de enfrentar o desconhecido, a solidariedade com o novo povo irmão, o surgimento de uma pequena comunidade, a celebração da fé, a afirmação dos valores do Evangelho como algo de novo, apaixonante, redentor do Homem. A Água e o Espírito, o Pão e o Vinho. E a capacidade de dar a vida por essa causa como tantas vezes aconteceu e acontece hoje. Continua o anúncio no desconhecido. E a entrega heroica da vida pela causa de Jesus. Apenas faltam operários para esta difícil e sedutora seara.