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Núncio nas Nações Unidas
12.12.2016 15:20:00
Um núncio é um dignitário eclesiástico representante do Papa num País com quem a Santa Sé tem relações diplomáticas. Quando algum padre é nomeado núncio recebe imediatamente a ordenação episcopal e é-lhe conferido o título de arcebispo duma diocese que não existe atualmente.
Os núncios, além de representantes papais junto das igrejas “nacionais”, ocupam a maioria do seu tempo em assuntos de representação política junto dos Estados onde eles são acreditados.
Na tentativa de aplicar os ensinamentos do Concílio Ecuménico Vaticano II, muitos teólogos, mas também leigos sabedores, se têm perguntado porque é que a Igreja não nomeia leigos católicos como representantes papais para serem enviados como “núncios-políticos” junto dos Estados do mundo? E também perguntam quando virá o tempo em que o Papa terá a coragem de nomear mulheres como núncios, visto que as suas missões não dependem diretamente das sagradas Ordens episcopais que a Igreja confere para fins pastorais...

Sem bem darmos por isso, surgiu agora em Portugal uma oportunidade única e de alto relevo que a Santa Sé pode aproveitar. Estou a referir-me à eleição de António Guterres para alto Secretário-Geral da ONU, o que o eleva a líder principal da diplomacia mundial.

Como se sabe a Santa Sé não é membro da ONU, mas está muito interessada em manter bons contactos e boas relações com esta organização mundial, por causa da paz mundial, do desenvolvimento dos povos, do diálogo interreligioso, do socorro aos países em crise, etc.. As canseiras e trabalhos da ONU são igualmente canseiras, preocupações e trabalhos da Santa Sé, tudo na linha da constituição apostólica Gaudium et Spes que começa afirmando: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e dos infelizes, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (GS 1).

Na qualidade de Secretário-Geral da ONU, o engenheiro António Guterres não poderá ser representante do Papa. Mas como católico ilustrado que é, formado à luz do Concílio Vaticano II em seus anos juvenis, estará bem à altura de saber abordar as espinhosas questões mundiais que se lhe depararem à luz do Concílio e do magistério dos últimos papas, mormente do Papa Francisco que escreveu a famosíssima encíclica Laudato sì sobre a questão ecológica como tarefa política a enfrentar. Mas não só: ele saberá sempre ser no Palácio de Vidro e pelo mundo fora um brilhante expoente de ideias ecuménicas de matriz eclesial. E não será preciso lembrar-lhe o caráter eterno, mas sempre misterioso, do seu batismo e crisma.