Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
O dia em que Nossa Senhora mostrou a Ascensão a Jacinta
25.05.2017
Tinham passado quatro dias desde os acontecimentos da Cova da Iria, e era quinta-feira da Ascensão, dia de preceito. À Missa das 8 horas, a Missa das Almas, iam as mães de família com os seus filhos, as mulheres do campo que depois regressavam aos seus lares para tratar da casa e do almoço.
Nesse dia, 17 de maio, Jacinta e a sua mãe foram à Missa e fizeram juntas o caminho de regresso a Aljustrel, onde viviam. A mãe deixou a pequena Jacinta a brincar e foi tratar da casa, mas algum tempo depois, ao procurar por ela, não a encontrou em lado nenhum. «A mãe procura por ela junto dos vizinhos, mas ninguém a tinha visto, procuraram nos poços, e não se sabia dela. Jacinta tinha sete anos, e não era habitual desaparecer assim», conta-nos o Pe. Rui Marto, pároco da Igreja Matriz de Fátima, uma igreja situada na localidade de Fátima, a cerca de 3 km do santuário.

A aflição da mãe transformou-se em ansiedade com o fim da Missa das 11 horas e o regresso de alguns vizinhos que tinham ido a essa celebração. Ao avistá-los, percebeu que, à frente de todos, vinha a sua Jacinta, de sete anos, sozinha. «A mãe pergunta-lhe: “Jacinta, onde andaste? Andámos toda a manhã à tua procura”, e Jacinta responde: “Mãe, fui à Missa.” “Foste à Missa?”, pergunta a mãe espantada. Jacinta já tinha ido à Missa, mas em Aljustrel sentiu-se de novo atraída pela igreja, não sabemos como nem porquê. “Já fomos à Missa esta manhã… estiveste lá a distrair toda a gente”, diz a mãe. “Não estive não, mãe. A mulherzinha da Cova da Iria veio ter comigo e ensinou-me a rezar à Ascensão”, e esta é a aparição», conta o Pe. Rui Marto.

Pe. Rui Marto
Esta é uma história verídica, confirmada por testemunhos diretos de vizinhos e pelo Pe. Manuel Marques Ferreira, que, na Documentação Crítica de Fátima, diz que «a Senhora lhe apareceu [a Jacinta] mais três vezes: uma no dia da Ascensão do Senhor, na igreja, durante a Missa, e que lhe ensinou a rezar as contas; outra vez, à noite, sobre o alçapão do sótão, estando a família a dormir; e mais uma, debaixo (ou salvo erro em cima) de uma mesa, sem nada lhe dizer, até que ela, Jacinta, disse para a mãe: Olhe... não vê a Senhora, que lá vi em cima, ali debaixo?!... Olhe!!! Como a própria mãe me declarou», pode ler-se nos documentos de Fátima.

Rezar a Ascensão?
«Nossa Senhora introduziu a Jacinta na liturgia celeste, porque trata-se da Ascensão, a subida de Jesus ressuscitado ao Céu. É um sinal de esperança, e à Jacinta foi dado compreender que no corpo do Cristo glorioso que sobe ao Céu está toda a Humanidade redimida, salva, e isto é motivo de grande esperança para o mundo.»

Rezar a Ascensão não foi, portanto, uma formulação de uma oração pré-concebida, diz o Pe. Rui Marto. «Para a Jacinta, rezar não são só as contas, rezar é contemplar, ver, saborear dessa presença de Deus. Não estamos a falar de uma fórmula de uma oração, mas antes uma contemplação deste mistério de Jesus que sobe ao Céu e leva em si a Humanidade redimida», explica o sacerdote.

Igreja matriz de Fátima
Assim como esta aparição, pouco se conhece das curtas vidas de Jacinta e de Francisco. «Jacinta tem uma função e uma missão muito particular dentro do contexto da mensagem de Fátima. Ela é aquela que, depois da primeira aparição, chega a Aljustrel e diz à mãe: “Mãe, vi Nossa Senhora”, quando ela e os primos tinham combinado não dizer nada a ninguém. A Jacinta é que tem esta aparição, e é quem morre sozinha no D. Estefânia. Tem uma missão muito particular no contexto daquilo que Nossa Senhora pediu. A missão é no amor, na caridade, a Jacinta é aquela que ama o Santo Padre, que ama a Igreja e os pobres. E o seu coração está virado para aí», diz o Pe. Rui, que acrescenta que esta é uma aparição importante no caminho da Jacinta porque, «depois desta aparição do Dia da Ascensão, há testemunhos que contam que a Jacinta se tornou mais recatada, só respondia sim ou não, deixava as respostas para a Lúcia, e dizem que foi precisamente desde esse dia, porque ela era muito extrovertida».

Neste dia contempla Jesus ressuscitado a caminho do Céu. «O estudo espiritual e de certo modo exegético desta aparição e do contexto e do mistério da Ascensão revela-se extraordinário no contexto da mensagem. Mais que todos os aspetos, este é um lugar central de boa notícia. Jesus morre, dá a vida, mas entrega-nos ao Pai. E ter acontecido esta mensagem durante a Eucaristia é sinal de que o Jesus ressuscitado é o Jesus da Eucaristia, que a tempo nos entregará a todos ao Pai. A comunhão e a Eucaristia propriamente estão no centro de toda a mensagem. Corpo de Cristo, comunidade reunida», declara o pároco de Fátima.
 
Texto e fotografias: Ricardo Perna
 
Excerto de uma reportagem publicada na edição de abril da FAMÍLIA CRISTÃ.
Continuar a ler