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Papa quer «continuar a meditar» sobre ordenação de homens casados
09.03.2017
O Papa Francisco referiu, numa entrevista concedida ao jornal alemão Die Zeit, que a Igreja deve aprofundar mais a possibilidade de conceder a ordenação sacerdotal aos viri probati, homens casados, uma expressão que surge na primeira epístola de Clemente aos Coríntios, um dos documentos cristãos mais antigos fora dos textos bíblicos e que o Concílio Vaticano II recuperou. «É preciso continuar a meditar se os viri probati são uma possibilidade. Devemos pensar em que tarefas podem assumir, por exemplo, nas comunidades mais remotas», referiu o Papa na entrevista, citado pelo sítio Web Religion et Libertad.
 
Ao mesmo tempo que assinalava a questão da possibilidade de ordenar homens casados, o Papa rejeitava a possibilidade do celibato opcional, deixando claro que «não é solução».
 
Atualmente, a Igreja Católica de rito latino admite homens casados ao primeiro grau do sacramento da Ordem (diaconado, sacerdócio, episcopado). Este tema já havia sido tratado na Família Cristã em junho do ano passado, e, nessa altura, dois bispos portugueses, D. Ilídio Leandro e D. Nuno Brás, assumiram que essa possibilidade em nada contrariava a doutrina. «Isto não é contra a fé nem contra a doutrina, pelo que nada obsta contra essa possibilidade. Seria uma evolução do pensamento da Igreja, que não colidia com nenhum dogma ou verdade fundamental, seria uma norma prática que respondia às situações concretas existentes atualmente», defendeu na altura D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu e membro da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. Já o bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás, diz que «a possibilidade de ordenação de homens casados, desde que tenham sido casados antes, é outra questão». «Em termos dogmáticos, não é incompatível, e a prova é que existem casos onde acontece», reconheceu.
 
Pode recordar aqui toda a argumentação favorável e contra a questão da ordenação de homens casados e da instituição do celibato opcional no artigo elaborado pela nossa revista.
 
Em 2005, durante o Sínodo dos Bispos, a assembleia sinodal considerou que os viri probati (“homens testados” – expressão que designa homens de confiança casados, de comprovada fé e virtude) não são solução para a crise vocacional.
 
Juventude é a solução para a crise de vocações
Estas questões surgiram na entrevista na sequência da conversa sobre a falta de vocações. O Papa admitiu que a quebra do número de candidatos ao sacerdócio é um «enorme problema» para a Igreja Católica e defendeu que é necessário «trabalhar com os jovens que procuram orientação», tema que vai estar no centro do próximo Sínodo dos Bispos, em 2018, noticia a Agência Ecclesia.
 
«Muitas paróquias estão nas mãos de mulheres dedicadas que nos domingos conduzem as orações. É um problema a falta de vocações. É um problema que a Igreja deve resolver», assinalou. O Papa lamenta ainda que alguns jovens não sejam sacerdotes “por vocação”, o que tem trazido problemas à Igreja.
 
Sobre a possibilidade de ordenação diaconal das mulheres, Francisco garantiu que está a «explorar o tema, não a abrir uma porta». «O tempo dirá o que a comissão irá apurar», referiu.
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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