Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Papa quer jovens com «fidelidade criativa» na Igreja
21.03.2017
O Papa Francisco publicou hoje a sua mensagem para as Jornadas Mundiais de Juventude, este ano dedicadas ao tema da fé de Maria, quando disse no Magnificat «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas».


Este primeiro itinerário de reflexão visa colocar os jovens na preparação da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2019, no Panamá, passando pelo Sínodo dos Bispos, marcado para 2018, que se irá deter sobre o tema da juventude. «Em outubro de 2018, a Igreja celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Interrogar-nos-emos sobre o modo como vós, jovens, viveis a experiência da fé no meio dos desafios do nosso tempo. Desejo que haja uma grande sintonia entre o percurso para a JMJ do Panamá e o caminho sinodal», diz o Papa na sua mensagem hoje publicada pela Sala de Imprensa do Vaticano.
 
O Papa Francisco retoma o conceito do «jovem-sofá» que criou na Jornada Mundial de Juventude de Cracóvia, no ano passado, para explicar que Maria «não Se fecha em casa, não Se deixa paralisar pelo medo ou o orgulho». «Maria não é daquelas pessoas que, para estar bem, precisam dum bom sofá onde ficar cómodas e seguras. Não é uma jovem-sofá!», refere.
 
O cântico com que Maria responde a sua prima Isabel, ela que era uma «jovem cheia de fé, consciente dos seus limites, mas confiante na misericórdia divina», deve servir de exemplo aos jovens que procuram o seu caminho de fé. «A fé é o coração de toda a história de Maria. O seu cântico ajuda-nos a compreender a misericórdia do Senhor como motor da história, tanto a história pessoal de cada um de nós como a da humanidade inteira», diz o Papa.
 
Até porque, «quando Deus toca o coração dum jovem, duma jovem, estes tornam-se capazes de ações verdadeiramente grandiosas». Esta é a convicção do Papa Francisco, mesmo quando aparentemente o jovem possa desconfiar do seu próprio potencial. «Dir-me-eis: “Mas, padre, eu sou muito limitado, sou pecador; que posso fazer?” Quando o Senhor nos chama, não Se detém naquilo que somos ou no que fizemos. Pelo contrário, no momento em que nos chama, Ele está a ver tudo aquilo que poderemos fazer, todo o amor que somos capazes de desencadear».


 
Ligar à história sem ficar presos a tradicionalismos
O convite para que, «como a jovem Maria», os jovens possam fazer com que a sua vida «se torne instrumento para melhorar o mundo» tem de ser ligado com um conhecimento da história de cada pessoa e da própria Igreja. «Ser jovem não significa estar desconectado do passado. A nossa história pessoal insere-se numa longa esteira, no caminho comunitário dos séculos que nos precederam. Como Maria, pertencemos a um povo. E a história da Igreja ensina-nos que, mesmo quando ela tem de atravessar mares borrascosos, a mão de Deus guia-a, fá-la superar momentos difíceis. A verdadeira experiência de Igreja não é como um flashmob em que se marca um encontro, faz-se uma representação e depois cada um continua pelo seu caminho. A Igreja traz consigo uma longa tradição, que se transmite de geração em geração, enriquecendo-se ao mesmo tempo com a experiência de cada indivíduo. Também a vossa história encontra o seu lugar dentro da história da Igreja», diz o Papa.
 
O Papa não quer que os jovens sejam tradicionalistas, e refere-o com veemência, advertindo que «seria um mal e não beneficiaria ninguém cultivar uma memória paralisante, que levasse a fazer sempre as mesmas coisas da mesma maneira». «É um dom do céu poder ver que muitos de vós, com as vossas dúvidas, sonhos e perguntas, vos opondes àqueles que dizem que as coisas não podem ser diferentes», afirmou.
 
No entanto, para «descobrir o fio condutor do amor de Deus que une toda a nossa existência», o Papa diz que «é fundamental» que os jovens se unam «à tradição histórica e à oração daqueles que vos precederam». «Daí a importância de conhecer bem a Bíblia, a Palavra de Deus, de a ler diariamente confrontando a vossa vida com ela, lendo os acontecimentos diários à luz daquilo que o Senhor vos diz nas Sagradas Escrituras», refere na sua mensagem.

 
Para que os jovens se possam lançar com «fidelidade criativa na construção dos tempos novos», o Papa pede que, «ao mesmo tempo» que abrem «as asas ao vento», os jovens descubram as suas «raízes» e o «testemunho das pessoas» que os precederam. «Para construir um futuro que tenha sentido, é preciso conhecer os acontecimentos passados e tomar posição sobre eles. Vós, jovens, tendes a força; os idosos têm a memória e a sabedoria. Como Maria com Isabel, ponde os vossos olhos nos idosos, nos vossos avós. Dir-vos-ão coisas que apaixonarão a vossa mente e comoverão o vosso coração.
 
No final da mensagem, totalmente dedicada aos jovens e a Maria, o Papa pede que não se esqueçam de dois acontecimentos marianos «importantes» neste ano. «Convido-vos a recordar dois aniversários importantes em 2017: os trezentos anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil; e o centenário das aparições de Fátima, em Portugal, onde, com a ajuda de Deus, irei em peregrinação no próximo mês de maio», conclui o Santo Padre.

 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Conferência Episcopal da Polónia, Bruno Moreira


Continuar a ler