Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Papa solidário com vítimas dos incêndios em Portugal
18.10.2017
O Papa Francisco enviou hoje uma mensagem de solidariedade às vítimas dos incêndios que atingiram o território português nos últimos dias, mostrando o seu pesar pelas “dramáticas consequências” desta tragédia. A mensagem de pesar foi transmitida ao presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, através do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.


«Profundamente entristecido pelas dramáticas consequências dos incêndios destes dias no centro-norte de Portugal, o Santo Padre assegura sufrágios pelo eterno descanso dos falecidos e eleva preces ao Senhor, pedindo que console os atingidos pela tragédia nos seus afetos e nos seus bens», refere o texto.

O Papa deixa votos de que a fé inspire «sentimentos de esperança e solidariedade para superar a adversidade» e saúda os esforços das instituições e pessoas de boa vontade que, «nestes momentos difíceis», procuram prestar «uma ajuda eficaz com espírito generoso e fraterno».

Francisco pede ainda aos bispos das várias dioceses envolvidas na «tragédia» que transmitam os seus «sentidos pêsames» aos familiares dos defuntos e expressem aos feridos e desalojados a «sua solicitude e unidade espiritual», concluindo a mensagem com a sua bênção apostólica.

Cardeal-Patriarca de Lisboa diz que tragédia devia ter sido evitada
O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, considerou ontem que a tragédia dos fogos, que causou 41 mortos, segundo o balanço mais recente, era evitável. Questionado pela Renascença e Ecclesia à margem de uma conferência na Universidade Católica, o cardeal relembrou a existência de relatórios que já apontavam falhas na forma como se lidou com os incêndios de Pedrógão Grande, em Junho, e diz que «certamente era possível» evitar uma repetição daquele acontecimento.

Para D. Manuel Clemente, esta tragédia era «previsível porque os relatórios estão aí. Os peritos já se pronunciaram, as autoridades do Estado, a começar pelo Presidente da República, também».

«Se se tivesse avançado mais na prevenção, se se tivesse mantido mais presente os sistemas de protecção e alerta, se se tivesse avançado mais atempadamente em termos de Protecção Civil, se as matas, ou pelo menos o que circunda os casais e as habitações, tivesse sido mais cuidado, enfim, isto não aconteceria, mas já estamos a chorar sobre leite derramado. É preciso é evitar que ele se derrame», considerou.

O patriarca de Lisboa recordou que as instituições da Igreja Católica estão já no terreno desde Pedrógão Grande para auxiliar as vítimas, um trabalho que vai continuar. «No que diz respeito a recursos materiais, as Cáritas diocesanas, sobretudo, desde o primeiro momento, desde Pedrógão, têm redobrado a sua acção. Também a Cáritas Portuguesa e outras organizações da Igreja, as misericórdias também e outras instituições.»

«Mas eu quero ressaltar muito especialmente o apoio que as paróquias – porque são a realidade local da Igreja e das dioceses –, os seus párocos e os seus cristãos mais comprometidos e atentos, têm dado às corporações, porque são pessoas entre pessoas, familiares, tantos deles, de vítimas, ou de pessoas que foram prejudicadas, e isto mantém-se», concluiu.
 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia e Renascença)
Foto: Paulo Cunha | Lusa
Continuar a ler