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Papa veio canonizar pastorinhos e confiar os fiéis à «Mãe»
13.05.2017
O Papa Francisco esteve esta manhã no santuário de Fátima para presidir à canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto, dois dos pastorinhos de Fátima. Foram centenas de milhares de pessoas as que encheram por completo o recinto do Santuário de Fátima e as ruas circundantes, acorrendo em massa ao convite para estar com o Papa e celebrar o Centenário das Aparições de Fátima.

 
Muitas passaram a noite ao relento, no recinto do Santuário, e outras madrugaram para ter uma hipótese de entrar.
 
A primeira explosão de alegria estava marcada para os ritos da canonização, primeiro momento da celebração, já que o Papa não entrou pelo recinto em Papamóvel. O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, pediu ao Papa que inscrevesse os dois pastorinhos no «catálogo dos santos». O Papa confirmou o pedido. «Em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de termos longamente refletido, implorado várias vezes o auxílio divino e ouvido o parecer de muitos Irmãos nossos no Episcopado, declaramos e definimos como Santos os Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto e inscrevemo-los no Catálogo dos Santos, estabelecendo que, em toda a Igreja, sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», declarou o Papa.
 

Após o rito da canonização, seguiu-se a eucaristia. Na homilia, o Papa agradeceu a companhia de todos quantos o acompanham na oração, e afirmou que, sob o «manto» de Nossa Senhora, os seus filhos «não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados».
 
Como vem sendo habitual nos discursos do Papa, o apelo à ação esteve também presente, através da exigência do «cumprimento dos nossos deveres de estado», conforme indicou a Ir. Lúcia, uma referência à vidente que acabou por “ficar de lado” em todas as comemorações de hoje. Francisco afirmou aos fiéis que, em Fátima, o Céu «desencadeia uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar». Por isso, pediu a todos que não sejam uma «esperança abortada». «A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida», defendeu.

 
Francisco avisou que a «Mãe» não tinha vindo para ser vista por todos, antes para adverter «para o risco do Inferno onde leva a vida (...) sem Deus e profanando Deus nas suas criaturas», numa referência subtil às questões da vida tão presentes no seu discurso e na agenda política em Portugal, com as questões do aborto e da eutanásia.
 
Durante o ofertório, a família de Lucas, o rapaz miraculado que permitiu a canonização dos pastorinhos, integrou o cortejo. O jovem e a sua irmã tiveram direito a um abraço sentido e caloroso do Papa, que deixou algumas palavras ao jovem.

 
Outros dos momentos marcantes da celebração foi a bênção dos doentes. Francisco não levou a custódia do Santíssimo, mas fez questão de benzer todos os doentes com ela, em vários locais da colunata onde se encontravam. Aos doentes, fez questão de frisar que a sua vida «é um dom», e que a presença de «Jesus escondido», uma expressão dos pastorinhos, «nas chagas dos nossos irmãos e irmãs doentes e atribulados» é tão real como a presença de Jesus escondido «na Eucaristia».
 
O Papa pediu aos doentes que digam a Nossa Senhora e aos Pastorinhos «que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração». «Não vos considereis apenas recetores de solidariedade caritativa, mas senti-vos inseridos a pleno título na vida e missão da Igreja». Neste sentido, Francisco exortou os doentes a não terem «vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja».

Papa emocionado no adeus à Virgem 
No final da eucaristia, D. António Marto agradeceu o facto de o Papa ter trazido aos portugueses «dois novos santos, Francisco e Jacinta, duas crianças, dois pequenitos, tão queridos ao povo português», e a sua presença neste dia. «Como poderíamos nós celebrar este centenário sem a presença do Papa, se o afeto a ele e a oração por ele fazem parte da mensagem que garante o amparo da Mãe da Igreja à Igreja peregrina no meio das perseguições e ao seu Pastor universal?», questionou.
 
No final, e em nome do Papa, dirigiu-se às muitas crianças presentes no Santuário de Fátima, e desafiou-as serem «sempre meninos e meninas alegres e felizes, como Francisco e Jacinta», arrancando sorrisos do Papa, que de seguida o saudou com um forte abraço, a ele e à Ir. Ângela Coelho, postuladora da causa da canonização dos Pastorinhos.
 
A procissão do Adeus marcou o final das celebrações. O Papa Francisco, munido de um lenço, acenou à Virgem do seu lugar, enquanto o andor abandonava o altar e se dirigia à capelinha das Aparições. O povo correspondeu ao gesto e inundou o recinto de lenços brancos, enquanto cantavam cânticos em honra de Maria. Um momento emocionante e inesquecível, de um santuário cheio a transbordar, que não deixou ninguém indiferente.


Reportagem: Ricardo Perna
Fotos: Arlindo Homem, João Fernandes e Ricardo Perna
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