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Patriarca pede «clarificação» dos acordos à esquerda
10.02.2016
D. Manuel Clemente, Presidente da CEP, pede que os partidos à esquerda exliquem bem os acordos que pretendem fazer.

Os bispos portugueses pedem que a situação política que o país vive se resolva «sem excessiva crispação sociopolítica, geradora de insegurança e desmotivação». D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), pediu uma «clarificação» dos acordos de esquerda que motivaram a queda do governo PSD/CDS, que ainda não aconteceu, na sua opinião pessoal. «Quero ver a clarificação do que há, porque há coisas que não sabemos ainda, porque não foram bem explicadas», disse o Cardeal-Patriarca, acrescentando que «só depois disso saberemos como avançar». O presidente da CEP falava em Fátima, na conferência de imprensa conclusiva da 188ª assembleia plenária da CEP.

Os bispos não estão preocupados com um governo de esquerda ou de direita, mas sim com o cumprimento do «quadro constitucional». «Fazemos apelo a que, estando num país democrático, tudo funcione dentro do quadro constitucional em vigor», disse o presidente da CEP. No entanto, consideram que é possível chegar a um excesso de crispação, pelo que pedem serenidade e diálogo. «A crispação faz parte do processo, porque as pessoas levam a peito o que acreditam, mas seria excessivo se no confronto de ideias se passasse a outro tipo de conflitos, e é isso que queremos evitar», dizem os bispos, que acrescentam que «quem está muito convicto de uma determinada posição pode perder de vista o conjunto das posições e aquilo que é uma visão mais global dos problemas».

Não fazendo críticas diretas ao PS ou aos acordos de esquerda, D. Manuel lá foi dizendo que «em risco estão todos os princípios», quando questionado se um governo com apoio do Bloco de Esquerda poderia ser prejudicial à Igreja, tendo em conta as suas posições já conhecidas em matérias como o aborto, a adoção por casais do mesmo sexo, entre outras. «Nós estamos cá para garantir que não sejam postos em causa», afirmou. Questionado sobre a convivência com a extrema-esquerda no poder, D. Manuel foi claro a defender a legitimidade do voto dos eleitores. «Os de extrema-esquerda são cidadãos como os outros. Foram votados para a assembleia, e é daí que saem os governos. Quanto ao resto, estaremos cá para expor a nossa opinião», reforçou.

No comunicado final, os bispos «apelam à cultura de diálogo e de encontro no respeito recíproco, à informação verdadeira e transparente, à sobreposição dos interesses nacionais acima dos particulares, à dignificação da política, aos consensos nas questões fundamentais, à reconciliação e à paz na diversidade, em que todos os cidadãos se sintam responsáveis».

Refugiados são problema «da humanidade»
Outro dos assuntos que esteve em análise na assembleia plenária foi a questão dos refugiados. Os bispos «continuam em sintonia com os reiterados apelos do Papa Francisco e reafirmam o dever do acolhimento em nome das raízes humanas e cristãs da Europa». Neste contexto, «saúdam as instituições portuguesas que estão desde já preparadas para esta missão e congratulam-se pelas iniciativas da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR-‑Famílias), na qual se encontram muitas instituições da Igreja».

A principal preocupação é a ajuda efetiva aos refugiados, e nesse âmbito os bispos mostram-se preocupados com o «atraso na recolocação dos 160 mil refugiados e recomendam às autoridades europeias e nacionais a maior celeridade na concretização deste processo», adiantando também que será canalizado para o programa PAR-Linha da Frente" todos os fundos angariados pela operação "Dez milhões de Estrelas - um gesto pela Paz" deste ano.

Questionado se estes atrasos poderiam distrair as atenções do problema dos refugiados, o presidente da CEP não se mostrou preocupado com essa possibilidade. «O excesso mediático pode distrair uns problemas com outros. E como recebemos muita informação todos os dias, algumas coisas podem retirar a importância de outras. Mas da nossa parte não haverá qualquer esquecimento, e vejo muita gente motivada para isso», disse D. Manuel Clemente, para quem os «refugiados são assunto da humanidade, não da Igreja apenas».

Os bispos falaram ainda sobre o Ano da Misericórdia, que se inicia no próximo dia 8 de dezembro, e partilharam «iniciativas e sugestões» para uma melhor vivência do Ano Santo. «Entre outros elementos, procurar-se-á uma maior atenção na celebração do sacramento da Reconciliação, na peregrinação sobretudo à Catedral, na valorização da partilha e solidariedade, nas práticas das obras de misericórdia e nas catequeses sobre a misericórdia nos tempos fortes da liturgia», referiram os bispos no seu comunicado final.
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