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Políticos ligados à 'rede'
13.11.2017 16:53:00
Numa sociedade em que as redes sociais ganharam posição de destaque na proliferação de informação, em que qualquer pessoa com uma câmara e uma conta “faz” e “dá” notícias, seria de esperar alguma contenção nas reações; alguma coisa parecida a “vamos lá pensar antes de começar a ‘gritar’”.

Já temos a “astrologia do gritinho” (somos todos astrólogos e todos os Leões são todos vaidosos); temos a “psicologia do gritinho” (somos todos psicólogos e todos os meninos irrequietos são hiperativos).
Queremos mesmo a “política do gritinho”? (isto tornou-se viral, portanto, temos que “gritar” como o resto das pessoas e fazer alguma coisa).

Naturalmente que este gritar não é no sentido literal (na maioria das vezes, pelo menos); por gritar entenda-se uma espécie de “reagir a quente”.
Sim, as redes sociais são propícias a isso, mas no caso dos políticos no geral, e do governo em particular, causa-me uma certa apreensão que se corra a tecer críticas e protestos ou até a tomar medidas, porque o assunto “rebentou” nas redes.

Dando dois exemplos muito concretos: o caso dos seguranças da discoteca de Lisboa que agrediram duas pessoas, e o consequente encerramento do espaço, e o jantar da Web Summit no Panteão Nacional que levou a que o governo revelasse a vontade de alterar a lei e passar a proibir eventos em monumentos que ponham em causa a dignidade dos mesmos.

Antes de mais, acho importante esclarecer que, no geral, e numa tomada de decisão em condições perfeitas, estou de acordo com o governo em ambas as decisões. Mas não é por isso que fico mais tranquila.

É que a ideia que passa é a de que temos um governo (e uma oposição, que rapidamente apanha a boleia dos “gritos”), que reage à agitação das redes sociais. Assim, a quente, e sem pensar muito. “Ainda bem que reage; ao menos faz alguma coisa”, dir-me-ão. Mas faz alguma coisa, quando? E com que dados disponíveis? Não havia já inúmeras queixas relacionadas com o comportamento dos seguranças da discoteca em causa? Não haverá outras tantas, de outros estabelecimentos que continuam a funcionar?

E a reação tão pronta, a condenar e a apelidar de indigno um jantar enquadrado legalmente? E em que nem deu para perceber muito bem se sabiam exatamente se havia ou não havia sepulturas na dita sala. Já para não falar do que assusta um tão pronto “sacudir a água do capote” com a menção à aprovação de decreto pelo governo anterior. Mas então: desconheciam os regulamentos a vigorar nos ministérios do país que governam ou dois anos não chegaram para mudar uma coisa simples?

A oposição faz exatamente o mesmo, simplesmente não toma decisões. Pensa-se tão pouco, aliás, que nem se preparam para os tiros nos pés que acabam por dar, ao esgrimir críticas, às vezes muito pouco polidas, em assuntos sobre os quais não podem negar responsabilidades em opiniões tão contrárias às decisões que tomaram enquanto governo.

Reagir a quente pode significar, mais cedo ou mais tarde, agir sem conhecimento dos dados todos e não são precisas grandes explicações para saber o quanto isso pode ser perigoso. Estamos todos descansados quanto aos futuros “casos virais” e consequentes decisões em rede? Se calhar não devíamos.