Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Prevenir acidentes nas férias
17.07.2013
Vale a pena lembrar algumas dicas de segurança para evitar afogamentos, prevenir quedas, acidentes com produtos tóxicos e muitos outros que podem estragar as férias das famílias.
 

Muitos acidentes acontecem logo no primeiro dia de férias, porque as crianças gostam de fazer o reconhecimento do espaço enquanto os pais desfazem as malas e arrumam as coisas. Por isso é tão importante que, antes da escolha do local onde se vai passar férias, se peçam informações a conhecidos e familiares ou junto da agência de viagens.

Há casas de férias que não estão preparadas para as crianças. Por exemplo, há piscinas que não estão vedadas e não têm segurança para os mais pequenos. Há crianças que se afogam no momento em que descobrem a piscina, um tanque ou um lago no jardim.

Sabemos que a água é muito atrativa para os miúdos. Muito facilmente se debruçam para espreitarem ou para apanharem qualquer coisa que caiu à água: «Como a cabeça da criança é maior e mais pesada do que a do adulto, essa cabeça grande e pesada cria o desequilíbrio e a acriança cai inesperadamente à água. Quando os pais dão conta, a criança já está afogada em paragem cardiorrespiratória», alerta Helena Sacadura Botte, secretária-geral da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

Dicas para evitar afogamentos
. Lembre-se que os afogamentos das crianças mais pequenas podem acontecer numa banheira, numa piscina, num taque, num alguidar de roupa ou num balde para lavar o chão. As crianças mais velhas afogam-se mais facilmente em rios, barragens, albufeiras e mesmo no mar.
. Nas brincadeiras na água (ou perto dela), a criança que não sabe nadar deve ter braçadeiras. Mantenha a vigilância próxima e focada.
. Se andar de barco todos devem usar um colete salva-vidas.

Produtos tóxicos
Numa casa onde habitam crianças, os produtos tóxicos não devem estar ao alcance da vista nem da mão. Em muitas casas de férias que são alugadas pelas famílias, os produtos tóxicos nem sempre são guardados nos locais mais corretos e ficam ao acesso de qualquer criança, por exemplo, debaixo do armário do lava-louça. Há ainda produtos para o jardim como herbicidas ou outros para a manutenção da piscina que, por vezes, estão em arrecadações mal fechadas. Tudo o que é tóxico deve estar num armário alto e fechado à chave, para que a criança não tenha acesso a esses perigos.


Quedas
As crianças gostam de trepar, saltar muros altos e estreitos, correndo riscos e desafios que podem provocar quedas com consequências nefastas. Na opinião da secretária-geral da APSI deveria existir formação na escola em prevenção de acidentes. Esta aprendizagem, progressiva desde a infância, deveria fazer parte da cultura, da maneira de estar de um cidadão, para se sensibilizar as crianças para a importância dos seus comportamentos para a sua segurança e segurança dos outros, levando-a a saber tomar conta de si e dos que a rodeiam: «Temos de preparar as crianças para serem autónomas – têm de aprender a crescer», sublinha Helena Sacadura Botte.

Há ambientes, quer em casa quer nos locais onde se faz férias, que não estão preparados para as crianças: extensões e fios elétricos espalhados pelo chão e falta de tapetes antiderrapantes podem provocar quedas. Também as varandas, terraços e escadas são espaços a que devemos prestar muita atenção. No interior da casa ou do hotel verifique o tipo de proteção.

Andar de triciclo e bicicleta
Muitas crianças são avessas a ter capacetes enquanto circulam de bicicleta. Se as habituarmos a usarem capacete logo desde o momento em que aprendem a andar de triciclo, posteriormente será mais fácil. Esta proteção faz toda a diferença, caso a criança caia. O capacete evita que a criança faça um traumatismo craniano. Daí pode resultar uma incapacidade permanente ou consequências fatais. Realça-se que o capacete confere uma proteção de 75% na prevenção de traumatismo cranioencefálico.
De assinalar ainda que as crianças que são transportadas em cadeirinhas atrás ou à frente na bicicleta dos adultos devem usar também capacete.

Dicas para passeios seguros de bicicleta
. Use equipamento e roupa adequados.
. Escolha uma bicicleta apropriada.
. As crianças devem usar calçado e roupa confortáveis. A utilização de joelheiras e cotoveleiras aumenta a segurança.

Perigo de atropelamento
No verão, crianças e adultos circulam mais na rua. Há erros que os pais cometem, sem querer, e que podem ser fatais, como caminhar pelo passeio com a criança do lado de fora. A criança deve circular sempre do lado de dentro do passeio.

É importante referir que quando se caminha na berma de uma estrada sem passeios, se caminha de frente para os carros, para que estes sejam vistos com antecedência.

No acesso a garagens, quintas ou outras zonas de estacionamento, é preciso ter muito cuidado ao fazer sobretudo as manobras de marcha atrás. Há crianças que são atropeladas desta maneira. Quando o adulto faz a manobra de marcha atrás, a criança não fica visível e pode ser atropelada pelo pai, pela mãe, pelo avô ou por um tio, o que provoca um grande trauma no seio da família.

Durante as férias, os avós e tios, por exemplo, gostam de proporcionar experiências diferentes de diversão às suas crianças. Andarem empoleiradas em cima de tratores ou de carrinhas de caixa aberta pode causar a queda e o atropelamento dos mais pequenos: «As pessoas não valorizam este tipo de acidentes», lamenta Helena Sacadura Botte.

Outro tipo de acidente que nem sempre é tido em conta é o perigo da Moto 4. «Uma criança numa Moto 4 corre o risco acrescido de atropelamento ou a queda do veículo em andamento. Lembro que para uma criança ser transportada de mota, a idade mínima é de 7 anos e obrigatória a utilização de capacete», realça a secretária-geral da APSI.

Festas com família e amigos
Nas férias reunimos mais com a família e os amigos. Em espaços onde está muita gente, em encontros desta natureza, é frequente haver acidentes, «porque todos pensam que alguém está a tomar conta das crianças e, afinal, ninguém está a tomar conta naquele momento», sublinha a técnica de segurança infantil. Helena Sacadura Botte recorda a importância de haver um ou mais adultos designados rotativamente para vigiar as crianças por determinado período de tempo. «Esse adulto não pode naquele momento fazer mais nada. Ele tem de estar só centrado nas crianças», frisa a técnica de segurança infantil.
Texto: Sílvia Júlio
Continuar a ler