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São traficadas 1,2 milhões de crianças por ano
08.02.2017
Este dia 8 de fevereiro é o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas. Este ano, o slogan é «São crianças! Não escravos!». Pode ver aquí o vídeo deste dia.
Talitha Kum, rede mundial da vida consagrada que luta contra o tráfico de pessoas, coordena a preparação do evento e em 2017 quer manter a «oração» e a «reflexão», mas mostrando de forma específica a realidade do tráfico de crianças.

No site da jornada, podem ler-se alguns testemunhos de crianças. A história de Lalani é contada pelas religiosas católicas australianas contra o tráfico humano. A rapariga de 16 anos estudava em Melbourne. Até que os pais a levaram para umas férias no país de origem.
 
«Quando chegaram, Lalani descobriu que estavam em curso os preparativos para o casamento dela. Não queria casar-se, mas sentia que não tinha outa escolha senão acatar. Os colegas de escola alertaram-na, através do facebook, para que os casamentos forçados são uma forma de escravatura e que são ilegais na Austrália. Eles deram-lhe uma página web que a podia ajudar. Conseguiu novos documentos australianos e um bilhete para o regresso. Lalani não voltou a viver com a sua família.»
 
 Do Burkina Faso chega a história de Joyce, 16 anos:
 
«Era originária de uma aldeia da Nigéria. Órfã de pai e mãe. A sua avó tomava conta dela, tinha um pequeno negócio e tinha dificuldades em mandá-la à escola. Joyce só estudou até ao final da escola primária, depois fazia os trabalhos domésticos e ajudava a avó. Um dia, uma senhora prometeu-lhe um trabalho num restaurante em Burkina Faso. Com ele, a rapariga poderia ajudar e cuidar da avó e de si mesma. Decidiu embarcar nesta aventura sem informar a avó. Depois de uma viagem perigosa e sem documentos, foi colocada numa casa com outras raparigas. Uma noite, a mulher deu-lhe roupa extravagante, mandou-a segui-la para a rua da prostituição. Joyce recusou, lutou e não quis comer. Acabou por ceder. Quando se revoltava, agrediam-na. Dois meses depois, decidiu fugir deste inferno.»
 
Estas são duas das histórias de crianças vítimas de tráfico. A UNICEF estima que haja 1,2 milhões de crianças traficadas por ano.

O Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas aconteceu pela primeira vez em 2015, a pedido do Papa Francisco. Na altura, disse: «Encorajo quantos estão comprometidos a ajudar homens, mulheres e crianças escravizados, explorados, abusados como instrumentos de trabalho ou de prazer e muitas vezes torturados e mutilados. Faço votos por que todos os que têm responsabilidades de governo se comprometam com determinação a remover as causas desta chaga vergonhosa, uma chaga indigna da sociedade civil. Cada  um de nós se  sinta comprometido a ser voz  destes nossos irmãos e irmãs, humilhados na sua dignidade.»

Na página web, estão disponíveis materiais para serem utilizados em sessões de esclarecimento e/ou de oração.

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Texto: Cláudia Sebastião
Imagem: Talitha Kum
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