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Somos feitos de Cristo
23.10.2017
A próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que irá decorrer em 2018, tem como tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Será uma oportunidade, senão mesmo «uma ocasião providencial para envolver os jovens na responsabilidade missionária comum, que precisa da sua rica imaginação e criatividade», como afirma o Papa Francisco na mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões, que se comemora no dia 22 de outubro.

A mensagem do Papa, que tem como título A missão no coração da fé cristã, recorda o que foi dito no Decreto Ad Gentes, do Concílio Vaticano II: «De facto, a Igreja é, por sua natureza, missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando de uma associação entre muitas outras, que rapidamente veria exaurir-se a sua finalidade e desapareceria».

O Santo Padre apela à necessidade de transmitir a mensagem cristã «num mundo baralhado com tantas quimeras, ferido por grandes frustrações e dilacerado por numerosas guerras fratricidas que injustamente atingem, sobretudo, os inocentes», que precisa «da força transformadora do Evangelho». Daí a necessidade de um encontro pessoal com Cristo «O primeiro e maior evangelizador» (Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 7), que pode tocar no íntimo de tantos corações. «O Evangelho é uma Pessoa, que continuamente se oferece», acrescenta o Papa Francisco.

Hoje tende-se a identificar o objeto da própria crença com aquilo que atrai e concentra as paixões e as emoções, quer sejam experiências ideológicas, clubísticas ou simples estados de espírito. Por isso, afirmações imbuídas de conceitos religiosos tornam-se comuns em áreas como a política, o marketing ou até o desporto, havendo quem veja numa ideologia, num clube ou num status de vida a sua principal razão de crer e de viver. São Paulo, quando escreveu que «para mim o viver é Cristo» (Fl 1,21), relembra a condição de sermos criaturas novas que, pelo Batismo, passamos a ser parte da sua essência divina e, por consequência, procuramos imitar a Cristo nos pensamentos e nas atitudes, não nos limitando a comprazer-nos com os sucessos terrenos. «O mundo tem uma necessidade essencial do Evangelho de Jesus Cristo. Ele, através da Igreja, continua a sua missão de Bom Samaritano, curando as feridas sanguinolentas da Humanidade e a sua missão de Bom Pastor, buscando sem descanso quem se extraviou por veredas enviesadas e sem saída», sublinha Francisco, que lança o repto aos jovens vendo neles a esperança da missão: «A pessoa de Jesus e a Boa Nova proclamada por Ele continuam a fascinar muitos jovens. Estes buscam percursos onde possam concretizar a coragem e os ímpetos do coração ao serviço da humanidade.» «São muitos os jovens que se solidarizam contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado.» (Evangelii gaudium, 106)

Depende de todos – pais, educadores, formadores, professores, etc. – a formação de ideias de vida, que nos cristãos são autenticadas pela presença e pelo encontro pessoal com Cristo, para que os jovens se sintam seduzidos por Ele e não O vejam simplesmente como uma obra de arte que se aprecia, uma figura histórica que se admira, mas que vejam n’Ele Alguém que os interpela e questiona, que os encanta e inquieta, de tal forma que cada um se sinta, enquanto criatura, um feito, uma obra-prima de Deus, e que, como batizado, reconheça que é “feito” da natureza de Cristo.