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Tempo de ser esperança
08.05.2017
Todos os caminhos levam a Fátima. As atenções do mundo cristão, dos crentes e dos não-indiferentes estão centradas no dia 13 de maio, dia em que se comemora o centenário da primeira das aparições de Nossa Senhora.

Milhares de caminhos e de quilómetros tantas vezes percorridos por milhões de peregrinos sob intempéries da natureza e das agruras vivenciais que fizeram chover lágrimas e suores de angústia e dor, com misto de alívio esperançoso, por uma graça obtida por intermédio da Senhora mais brilhante do que o Sol. Não há astro que queime nem chuva que molhe enquanto a promessa não for consumada e aceite por quem de direito que a acolhe. E quem espera sempre alcança, diz o ditado que terá dado ânimo a tantos corações que se puseram à estrada, de cajado numa mão e rosário na outra, confiantes na Senhora Mãe da Esperança.

Porque é de esperança que a mensagem de Fátima fala, num tempo conturbado de ideologias aguerridas e descrentes que assolavam o nosso país e ensombravam os céus da Europa das trincheiras, carregados de nuvens cinzentas das bombas e do fumo dos gases pavorosos que fizeram desta guerra a mais dolorosa de sempre. Nela tinha acabado de entrar o primeiro contingente de soldados portugueses. A Senhora do Rosário prometeu o fim da guerra, mas também o início de tempos conturbados e de outras guerras maiores caso os corações não se convertessem.

A mensagem de Fátima obtém do Evangelho toda a atualidade e justificação, como quando Jesus foi para o deserto e «jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome» (Mt 4,2). No primeiro anúncio, Jesus apelava à conversão e à fé na Boa Nova. Como não ver aqui o convite de Maria à mudança de vida conforme o Evangelho e a gestos de penitência numa atitude de amor gratuito, vividos, aliás, com enorme felicidade pelas três crianças?

Centraram-se demasiado as atenções nos famigerados segredos. Seria o fim do Mundo? Da Igreja? No Evangelho, Jesus não satisfaz curiosidades comezinhas que afastam do essencial. Questionado sobre a restauração final, afirma: «Não pertence a vós saber os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade.» (Act 1,7). Aos que Lhe perguntaram se «é verdade que são poucos aqueles que se salvam?» Jesus respondeu «esforçai-vos por entrar pela porta estreita» (Lc 13, 23-24). A porta de uma vida exigente no amor a Deus e ao próximo. Os pastorinhos também nos deixaram claro, sobre a visão do inferno, que inquieta crédulos e incrédulos, que a mensagem está no quão aterradora é uma existência da qual Deus está ausente e quão atroz é o sofrimento quando Ele não está presente!

É um facto que as aparições não são dogma de fé, mas que não sejam uma oportunidade perdida para manter vivo e atual o ensinamento de Jesus na catequese da atualização e inculturação da essência da verdade evangélica.

Se o século XX foi considerado curto por iniciar-se com a Grande Guerra e terminar com a queda do Muro de Berlim, a experiência de Fátima extravasou os limites puramente religiosos. A força da sua mensagem passou a fazer parte das páginas da História mundial, antecipando as feridas, oferecendo-lhe a cura e devolvendo a esperança.