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Unicef cuida de dois mil milhões de crianças
12.01.2018
A Unicef foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1946 para apoiar as crianças europeias depois da II Guerra Mundial. Hoje, é um organismo permanente da ONU e atua em mais de 190 países, onde chega através de sete mil trabalhadores. As crianças estão em risco em muitos países do mundo, seja por conflitos, desastres naturais ou perseguições. Só na Síria cerca de seis milhões de crianças precisam de assistência.


Nuno Crisóstomo é português e trabalha na Unicef desde 2001. «Eu comecei no final de setembro no centro de operações de emergência dedicado a respostas de emergência para o mundo da Unicef, 193 países e territórios. Cobre o mundo inteiro.» Um trabalho exigente, a cuidar de cerca de dois mil milhões de crianças. «Estive 16 anos nesse centro de operações, em Nova Iorque, em que, pelo facto de trabalhar 24 horas por dia, estive em contacto com todo o mundo da Unicef», conta, numa conversa telefónica.

Em todo o mundo, segundo dados da Unicef, cerca de 124 milhões de crianças e adolescentes não vão à escola e dois em cada cinco abandonam a escola primária sem aprender a ler, escrever ou fazer contas. Quase 250 milhões de crianças vive em países e áreas afetadas por conflitos armados e milhões sofrem por desastres naturais. A organização diz que se nada for feito, até 2030, 69 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos, a maioria nos países pobres.

Nuno já esteve em mais de 70 países e, por isso, conhece bem a realidade mundial. «Estamos com 7 mil milhões de pessoas no planeta, dos quais dois mil milhões encaixam-se nesta definição de criança. É um problema demográfico. Há mais crianças no mundo do que nunca, o que é bom sinal, é sinal de que as crianças sobrevivem, continuam a desenvolver-se e os avanços da medicina e dos direitos da criança…», afirma. Outra coisa que mudou foram os desafios a enfrentar. «Neste século xxi, tivemos três pandemias: em maio de 2009, a gripe suína, que se iniciou no México, seguida pela febre hemorrágica Ébola, em 2014, principalmente na África ocidental. E depois a pandemia do Zica, no final de 2015, que atingiu muito o Brasil com consequências graves para as crianças, com a microcefalia que não tem cura.» As pandemias afetam especialmente as crianças e não escolhem fronteiras. Daí serem tão devastadoras.

Nuno Crisóstomo em visita com a Cáritas da República Democrática do Congo.
A República Democrática do Congo tem mais de dois milhões de km2 e, se tem havido avanços grandes da área da saúde que permitiram que o Ébola deste ano se ficasse apenas por seis casos, há outras regiões com problemas muito graves. «Este é um país muito fértil, em que praticamente não há fome. Há é má-nutrição em resultado de situações extremas», conta. Recentemente esteve no noroeste do país onde viu isso pessoalmente. «Foi o que vi: bebés órfãos de ambos os pais e que foram recolhidos pela Igreja católica, pelas freiras e farmacêuticos que trabalham nos hospitais distritais», conta.

Leia o artigo na íntegra na edição de janeiro de 2018.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: Natacha Makwala e  Unicef
 
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