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A Educação para a Cidadania em perguntas e respostas
13.09.2021
O que é a cidadania? A palavra «cidadania» traz dentro a palavra «cidade». Refere-se a este dado humano estruturante de sermos uns com os outros e partilharmos espaços, tarefas, gestos de celebração, soluções para problemas. Para vivermos em comunidade é preciso que a vivência em comum ajude a florescer, e não a inibir, o que cada um é.

A cidadania é natural em nós ou precisa de ser educada? Precisa de ser educada para superarmos o instinto de satisfação e posse, próprio da nossa natureza, em favor da capacidade de dar e acolher, ainda mais profundamente inscrita no ser humano. Educar implica ir além do que é instintivo e imediato, para que resplandeça o que é belo e verdadeiro.

Como é que se educa a cidadania? Fazendo uma experiência de humanidade. Olhar para o sofrimento alheio, de pobreza, doença, solidão, e ajudar, educa a uma posição humana de acolhimento, compaixão e paz. Fundamental é manter viva a tensão entre o que é a pessoa e o bem comum. A história está cheia de consequências de um individualismo exacerbado e de um coletivismo desenfreado.

O que é que a educação para a cidadania não pode ser? Não pode ser a imposição de uma perspetiva opinável sobre a vida, porque essa é uma terrível contradição. Para defender um grupo de pessoas que pensam de uma certa maneira e não se sentem aceites, tornar a sua perspetiva como obrigatória para todos cria uma nova situação de injustiça com outros grupos que pensam de outra maneira e deixam de se sentir aceites.

Quem é que deve educar para a cidadania? Há um direito natural que é fundamental ser respeitado: o das crianças a serem educadas pelos seus pais e o dos pais a educarem os seus filhos, de acordo com o que lhes parece mais justo e melhor. Haverá tempo para as crianças crescerem e verificarem se o que receberam lhes serve ou se abraçam outras ideias.

Numa sociedade mais certa do valor da liberdade, há vários modelos de escolas e possibilidade de escolha para as famílias. Em Portugal persiste um modelo centralizador da educação, pelo que os pais que não têm desafogo financeiro veem a sua liberdade de escolha limitada. Isso implica que a escola estatal não obrigue os seus alunos em matérias culturalmente não consensuais.
O que é que cabe aos pais cristãos em matéria de cidadania? Cabe-lhes cuidar de si mesmos enquanto adultos, para que a potência de verdade e bem encontrada na amizade com Cristo não desvaneça diante de outros brilhos e outros gritos. Os pais de coração enraizado em Cristo ensinam os filhos que «não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos somos um só em Cristo Jesus» (cf. Gl 3,28). As famílias cristãs fiéis serão, assim, as primeiras no amor ao próximo, no acolhimento e na misericórdia, na certeza da promessa de bem que cada pessoa é.

Cabe-lhes também defender os seus filhos de pretensões totalitárias e unir-se, entre si, formando uma muralha de defesa da liberdade, que desencoraje ou faça recuar quem se atreva a atacá-la. É preciso atenção, diligência, certeza e coragem. Os sacramentos dão-nos a graça de Cristo para tudo isso.

Somos chamados a amar os nossos inimigos e a fazer bem aos que nos perseguem. Para isso, precisamos de identificar, sem ingenuidade, quem é que hoje nos trata como inimigos e persegue o nosso amor à verdade. Não queremos mal a ninguém, apenas defendemos a liberdade que é de todos.