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A fotografia que valeu uma vida nova ao pequeno Mustafa
25.01.2022
Dizemos muitas vezes que uma imagem vale mais que mil palavras. Neste caso, uma imagem vale uma vida nova que vai ser proporcionada a Munzir e ao pequeno Mustafa, pai e filho de Idlib, Síria, cuja vida foi profundamente afetada pela guerra.

 
O Vatican News traz a notícia da chegada a Itália, no dia 21 de janeiro, desta família síria cujo percurso foi dramaticamente incluenciado pela guerra que se vive no país. Em 2016, numa explosão num mercado em Idlib, Munzir perde a perna direita e fica gravemente ferido, enquanto a esposa, que na época estava grávida de Mustafa, respirou o gás nervoso libertado pelas bombas, com consequências irreparáveis ​​para o feto.
 
A criança nasceu afetada pelo síndrome de tetra-amelia, ou seja, sem os quatro membros (braços e pernas). Três anos mais tarde, a família fugiu, assim como o fizeram centenas de milhares de outros refugiados, para o sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria, onde viviam como mendigos, apenas com a ajuda do Crescente Vermelho, a nossa Cruz Vermelha, até que foram “descobertos” pela fotografia de Mehmet Aslan, o fotógrafo que venceu o Siena International Photo Awards e que pode ver no início deste artigo.
 
Desde essa altura, uma máquina de solidariedade foi posta em marcha para conseguir ajudar esta família. A diocese de Siena decidiu acolher os cinco elementos, e o pequeno Mustafa vai ser submetido a uma cirurgia ao estômago e posteriormente vai receber próteses para os seus membros.
 
O pequeno Mustafa, de 5 anos, juntamente com o pai Munzir, a mãe Zeibab e outros dois filhos do casal, vão ficar num apartamento disponibilizado pela Cáritas local. A família - que vindo do exterior terá que seguir um período de quarentena - receberá alimentação e ajuda financeira. Posteriormente, a Cáritas trabalhará para criar uma rede de apoio e relações com o território, para favorecer o processo de integração da família.
 
Em Siena, o cardeal Paolo Lojudice, arcebispo de Siena-Colle di Val D'Elsa-Montalcino e presidente da Cáritas diocesana, afirma ao Vatican News que «estamos certamente felizes, mas consideramo-la como todos os outros acolhimentos que fazemos», acrescentando que se limita a colocar «em prática o apelo do Papa Francisco para que cada paróquia acolhesse uma família em dificuldade».

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O prelado sublinha o que define como uma «responsabilidade colossal dos jornalistas», que é manter alta a atenção em áreas onde guerras mais ou menos subterrâneas ou esquecidas e abusos de poder criam efeitos dramáticos na vida de homens, mulheres e crianças. «Essa é a prova disso. Somos apenas um pedaço de uma rede de solidariedade».
 
O cardeal Lojudice afirma que «esta foto fala da alegria de viver, apesar de tudo. Diz que 'podemos explodir' mesmo no meio da guerra. E dignidade».
 
Era alto o risco de que as muitas partilhas não resultassem numa ajuda efetiva, admite Luca Venturi, diretor artístico do Siena Awards, a quem chegou o vídeo de agradecimentos que se vê abaixo. Por isso, diz ao Vatican News, dedicou-se a garantir que o acolhimento acontecia mesmo. «Havia o medo de que no final o clamor mediático que se estava a criar em torno da foto não suscitasse nada de concreto no apoio a essas pessoas. Nós, por outro lado, queríamos dar um futuro diferente ao pequeno Mustafa», explica Venturi . Por isso, «lançámos uma coleta, mas o temor existia». «Então ousámos, e hoje o constrangimento e o medo desapareceram e permanece a alegria e o sentido de partilha que existiu em Siena», conclui.


 
Texto: Ricardo Perna (com Vatican News)
Foto: Siena Photo Awards e Vatican News
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