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A Igreja tem 16 novos «guardiões» de menores
13.02.2019
Teve lugar hoje em Roma a cerimónia de graduação dos alunos do IV curso de Segurança e Proteção de Menores. Foram 16 os formandos que receberam hoje o seu diploma das mãos dos responsáveis pelo Centro de Proteção de Menores (CPM) da Universidade Gregoriana, entidade responsável pela formação. Poucos dias antes de ter início a reunião no Vaticano que irá juntar os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo para refletirem sobre o tema da Proteção de Menores na Igreja.

 
Destes 16 formandos, há seis que irão prosseguir os seus estudos no âmbito de um Mestrado nesta temática da Proteção, segundo informa o Centro num comunicado enviado à Família Cristã.
 
O Pe. Hans Zollner, jesuíta e presidente do CPM, falou na cerimónia de graduação sobre a importância desta formação. «No que diz respeito à salvaguarda, há uma interação entre políticas, normas, procedimentos e diretrizes, com o direito canónico de um lado, e a atitude e disponibilidade para cooperar do outro - não porque a pessoa é obrigada, mas porque pronta, espontânea e naturalmente faz o que pode ser feito para que os jovens estejam seguros e aqueles que foram prejudicados recebam toda a ajuda e apoio a que têm direito. É por isso que precisamos de continuar a educação e a disseminação de informações, mas também precisamos de outra maneira de aprender. Os formandos foram apresentados a essa nova abordagem pedagógica que os equipou de maneira única para serem guardiões -  o nome que eles dão a si próprios e o que devem ser quando voltarem aos seus países», referiu o sacerdote na cerimónia.
 
Presente na cerimónia esteve também a portuguesa Marta Santos Pais, Representante Especial sobre a Violência contra Crianças, da ONU, que partilhou o compromisso do CPM em transformar este mundo num local «mais seguro para as crianças». «Esta meta está ao nosso alcance e todos podem fazer a diferença, colocando as crianças em primeiro lugar, começando com o investimento nos primeiros anos e garantindo que todas as crianças cresçam num ambiente seguro e amoroso. Ao investir em crianças, criamos as condições para que cada criança cresça livre de desejos alheios, medo e violência. Por sua vez, salvaguardando a segurança e a proteção das crianças, aumentamos as hipóteses de alcançar todos os objetivos e metas sustentáveis. Juntando as mãos, a soma das nossas forças será zero: zero de violência», referiu esta responsável.
 
Os alunos presentes no curso destacaram algumas das razões que os levaram até àquela formação. Um dos alunos destacou que «a proteção de menores é uma responsabilidade coletiva que vai dos leigos ao clero», enquanto outro apontou que somos todos «obrigados a tratar toda a humanidade com dignidade e a não tirarmos proveito dos mais novos».
O método de trabalho foi também elogiado pelos alunos, que referiram que «o caminho do compromisso, responsabilidade e cooperação» exige que trabalhem com «convicção, em conjunto, em rede, e com esperança».
 
Os estudantes deste curso, que teve a duração de um semestre, foram provenientes de quatro continentes. Outro dos alunos reconheceu que «há ainda muito trabalho a ser feito na área da proteção de menores na minha Igreja local e em todo o mundo». «Mas estou convencido que, se houver 100% de investimento e de empenho na formação do clero e dos leigos, então conseguiremos realizar este sonho de tornar a Igreja num local seguro para menores e adultos vulneráveis».
 
Este é um curso que existe desde 2016 com o objetivo de formar peritos na prevenção do abuso sexual de menores e está baseado numa pedagogia de dar mais importância às vítimas. É um curso coordenado por Karolin Kuhn, Katharina A. Fuchs e María Rosaura González Casas que inclui cadeiras interdisciplinares que abordam os diferentes tópicos relacionados com a proteção de crianças e adolescentes.
 
Texto: Ricardo Perna
Foto: La Croix
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