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A polémica das barrigas de aluguer
17.05.2016
Começo por dizer – e é com sinceridade e experiência que o digo – que compreendo a dor de quem não consegue ter filhos; de quem quer muito ser mãe ou pai e se vê impedido de o ser, seja por que razões for. Tenho simpatia e compaixão por essa dor.

 
Vem isto a propósito da aprovação das barrigas de aluguer para mulheres que, por doença, não possam ser mães. Ou seja, na prática uma mulher pode “emprestar” o seu útero para carregar o bebé de outra que por razões médicas não o pode fazer. Não consigo compreender que isso se faça sem ter em conta que o feto tem uma relação privilegiada com a mulher que o tem na barriga.
 
Não são apenas fluidos que se trocam na placenta. Há inúmeros estudos científicos que revelam a troca de emoções, sensações emocionais e mentais. Não é à toa que os investigadores dizem que há bebés deprimidos dentro das barrigas das mães e que a forma como decorre a gravidez influencia o estado emocional e psicológico do bebé, mesmo depois de nascer.
 
Eduardo Sá disse numa entrevista que «uma barriga não é uma realidade estranha ao corpo e ao psiquismo de que faz parte». O psicólogo clínico, professor de psicologia clínica e investigador na área do feto e do bebé explica que «os inúmeros estímulos que chegam ao bebé de forma bioquímica e sensorial ajudam a formatar um embrião de forma singular, dependendo da pessoa com quem se relaciona durante nove meses». Daí que este psicanalista seja contra as barrigas de aluguer.
 
Será possível uma mulher ter dentro de si um bebé a crescer sem se relacionar com ele? Os estudos científicos dizem que não e que esses estímulos são necessários para o seu bom desenvolvimento. Carregar um bebé no ventre não faz de uma mulher mãe. Mas também não faz dela apenas a transportadora de um bebé.
 
Nem tudo o que é legal é moral ou eticamente válido. Este é um desses casos.
 
Foto: Freeimages/ChrisGreene