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A simplicidade das coisas simples
05.11.2018
Nestes dias de início de novembro falamos mais de morte e de mortos: os santos, todos mortos, que estão na glória dos Céus e que são modelos de vida; e os nossos defuntos, familiares e amigos de quem temos tantas memórias e tantas saudades. Comummente se diz que «a morte é a coisa mais certa que temos na vida». Se é verdade, por que razão temos medo e pudor de falar dela? Nós, os crentes, poderíamos ter a vida facilitada. Afinal, acreditamos num Deus que nos acolhe. Cremos na vida eterna, mas muitos de nós debatemo-nos com o desconhecido do que isso significa…

Li recentemente o livro Caminhemos juntos – Orientação espiritual e conselhos práticos para o fim da vida, de Michael Mercer e revi-me na analogia que faz. Ele é capelão num centro de cuidados paliativos e foi pastor em várias igrejas. Diz que o momento em que alguém recebe a notícia de uma doença fatal é como quando a mãe ou o pai nos chamam e nós andamos a brincar na rua. Estamos felizes da vida, com os nossos amigos a fazer tropelias, a jogar e a correr. Ter de voltar para casa por melhor que possa ser é incomparavelmente menos sedutor do que continuar a brincadeira. Faz-me sentido esta analogia. No caso deste livro, o autor fala da preparação para pessoas que sabem que vão morrer em breve. Mas não sabemos todos que isso um dia vai acontecer?

De um momento para o outro a nossa vida na terra pode terminar e sem pré-aviso. Saímos de casa como num dia normal e esse acaba por não ser um dia como os outros. Escrevo isto sem medo, com realismo. Todos os dias ouvimos falar de alguém a quem isso aconteceu.

Por isso, faz-me ainda mais sentido preparar esse dia de regresso a casa. Sem pressas. Sem dramatismos. Sem complicações. É uma preparação pessoal. Para uns, pode ser traçar uma lista de metas ou desejos a cumprir ou locais a visitar. Para outros, aperfeiçoamento ou crescimento pessoal. Para outros até, coisas práticas clarificadas ou relações reatadas. Se adiamos constantemente um jantar com amigos, porque não marcá-lo? Dizemos ao nosso marido, esposa, filhos, pais, etc., o quanto os amamos?