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«A vida é um valor inegociável»
14.05.2018
Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se comemora no Domingo da Ascensão, o Santo Padre alerta para o fenómeno das “notícias falsas”, as chamadas fake news. Estas remetem para notícias infundadas, que se baseiam em dados inexistentes ou distorcidos, procurando enganar ou manipular o destinatário, usando, até, notícias verdadeiras, mas com fins políticos, económicos, sociais e ideológicos. Aproveitando a enorme fluidez da internet, a avidez e a predisposição natural para a insinuação, estas notícias têm campo aberto para instalarem os ideais e objetivos dos que as impõem, sob aparência de propostas que já toda a gente assumiu, de forma a que quem esteja de fora se sinta excluído ou antiquado nos seus círculos de amigos.

Para contrariar a proliferação de ambiguidades e falsidades, Francisco apela ao jornalismo, “guardião das notícias”, que hoje em dia não é só uma profissão, mas «uma verdadeira e própria missão» para que se assuma como jornalismo de paz, «sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas», e que indica «soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal». As redes de violência e agressão verbal também podem existir nos media católicos. A esse propósito o Papa Francisco adverte, no nº 115 da recente Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamamento à santidade no mundo atual, que ao usarem-se estas redes «dizem-se coisas que não seriam toleráveis na praça pública e procura-se compensar as próprias insatisfações descarregando furiosamente os desejos de vingança».

Com um discurso que aparenta privilegiar as pessoas e os seus valores, sob o manto da compreensão, da honra, da dignidade, da verdade e até de um ideal, mas numa visão desprovida de sobrenatural ou de qualquer dimensão ou valor espiritual, algumas correntes ideológicas preparam as pessoas para o momento doloroso da morte. Vista como o fim de linha de todos e de tudo, assusta e, por isso, se usam subterfúgios linguísticos pejados de eufemismos. Essa é a ideia dos que, numa linguagem ambígua, dizem que a eutanásia não é a escolha da morte, mas a liberdade de escolher morrer…

Na homilia da celebração da Paixão do Senhor, na passada Sexta-feira Santa, D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, citando o Dr. Daniel Serrão, afirmou que «enquanto a dor é sempre tratável, o sofrimento exige um cuidado maior e uma intervenção de outra ordem». Recordando que «existem já projetos para a despenalização do ato de matar um paciente», D. Jorge convida a olhar para o que se passa em outros países onde existe essa prática que «é também praticada em doentes mentais, assim como em pacientes que sofrem depressão ou ansiedade. Fará sentido? Quais os limites para a eutanásia? A posição da Igreja sobre este assunto é sobejamente conhecida: a vida é, desde o nascimento ao ocaso, algo sagrado e inviolável. […] A vida é um valor inegociável.»

Se a dor tem tratamento, o sofrimento exige muito mais de cada um de nós que trava diária ou esporadicamente com a pessoa que sofre: «O afeto, a presença, a segurança, a compaixão, a esperança e o acompanhamento médico e espiritual. […] A eutanásia, por muito que nos custe, é uma forma de aparente compaixão, mas que, na verdade, resulta de interesses económicos e ideológicos ocultos, assim como é o resultado da nossa incapacidade pessoal e social de cuidarmos dos nossos», acrescenta o arcebispo primaz.

Depende de cada um aumentar em si mesmo a vida, no sentido da qualidade. Tornar a vida mais bela, de forma a transmitir vida a quem vive ao nosso lado, impede que ela se torne amorfa, triste, moribunda, para nós e para os outros. Muito depende da proximidade com Deus. Por isso a dimensão espiritual é de todo pertinente numa resolução saudável motivadora de felicidade.