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Abusos: Bispos vão criar «instâncias de prevenção e acompanhamento»
02.05.2019
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, referiu hoje aos jornalistas na conferência de imprensa de encerramento da Assembleia Plenária da CEP que todos os bispos vão criar nas suas dioceses «instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas Dioceses» e confirmou ainda que a CEP vai «atualizar as diretrizes aprovadas pela Conferência Episcopal em 2012, tendo em conta as orientações da Santa Sé».

 
Apesar de alguns bispos, no início da assembleia plenária, terem referido que não viam necessidade de nenhuma comissão específica para este assunto, a reunião destes dias em Fátima criou este «consenso». «O que aconteceu agora foi a formalização conjunta das várias dioceses de algo que já estava definido e que agora, como a Santa Sé nos tinha pedido, temos de levar mais para diante», referiu. Não é líquido, no entanto, que surjam comissão de proteção de menores em todas as dioceses, sendo que D. Manuel Clemente afirma que «podem ser estruturas que já existem» dentro das dioceses.
 
A prioridade, referiu aos jornalistas, «não é apenas o acolhimento das denúncias, mas sobretudo a prevenção», que é «prioritária». No que diz respeito à possibilidade de haver uma estrutura dentro da CEP que supervisione todo o país, D. Manuel Clemente referiu que os dois «patamares» em que a Igreja vive não permitem este tipo de soluções, pelo que aguardam as «diretrizes que virão do Vaticano» para ver como proceder.
 
No entanto, reforçou que «tudo o que vá no sentido da colaboração direta com as autoridades civis é prioritário», embora salvaguarde que é preciso «respeitar» as questões do foro interno, nomeadamente o segredo de confissão. Sobre quem encobre os abusos, não houve nenhuma referência direta nas conclusões dos trabalhos dos bispos, mas em resposta aos jornalistas, D. Manuel Clemente admitiu que «para quem encobre também estão previstas consequências» a nível do direito canónico que, reforçou, é mais gravoso que os tribunais civis em alguns casos».
 
Preocupação com «nacionalismos estranhos»
As eleições europeias levaram os bispos portugueses a elaborar uma carta pastoral que serve como «pequena súmula do que a Doutrina Social nos dá como critérios». «Somos chamados a pronunciar-nos sobre projetos, coisas concretas. A vantagem destes dados é olhar com mais concretização para dados que é importante conhecer», referiu o presidente da CEP.
 
Sobre a vaga de nacionalismos que está a correr vários países da Europa, D. Manuel Clemente referiu que os bispos estão «preocupados». «Preocupados estamos sempre, porque as coisas boas acontecem e as más também. Os nacionalismos estão por aí, por esta Europa fora, fazem da história um pretexto para justificar opções presentes, e é preços ter cuidado», afirmou, acrescentando que «o projeto europeu, com as suas deficiências, já nos proporcionou oito décadas de paz, o que é uma raridade para quem conhece a história» europeia, «um valor demasiado alto para ser posto em causa por um qualquer nacionalismo estranho».
Mesmo considerando que os bispos só intervêm como «mobilizadores de consciência, cada cidadão vota por si e é a consciência que trabalha», D. Manuel Clemente não deixou de defender que «o que é bom da nossa sociedade é para partilhar, não é para contrapor».
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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