Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Afinal, queremos um Portugal limpo ou não?
16.04.2018
Ficámos hoje a saber que Portugal ganhou o prémio de pior subsídio a combustíveis fósseis na Europa, atribuído por uma rede de organizações ambientalistas europeias, a Rede Europeia para a Ação Climática. Uma notícia que se torna mais estranha quando, há dias, ficámos a saber que Portugal tinha produzido mais energia renovável do que aquela que gastou durante o mês de março deste ano.


É muito difícil de compreender o argumento de quem procura eternizar um consumo de combustível fósseis, quando há tanta possibilidade nova, comprovada e certificada de produção de energia que se renova e que, por conseguinte, não prejudica tanto o meio ambiente. Existem muitos interesses por trás, claro, e seria uma época de transição muito complicada para as empresas que dependem dos combustíveis fósseis e que, por isso, iriam perder grande parte da sua produção e riqueza. Mas quanto mais tempo teremos de aguentar argumentos que de pouco ou nada servem perante a evolução dos sistemas renováveis de produção de energia?

É tempo de termos um debate sério e honesto sobre as energias renováveis. Sério e honesto, porque as coisas podem não ser tão perfeitas quanto se quer fazer parecer. Há relatos que indicam, por exemplo, que a produção das baterias de lítio é bastante poluente por si só (embora também estes sejam algo subjetivos), pelo que precisamos de pessoas sérias e estudos fidedignos que nos ajudem a perceber qual o melhor caminho. Um caminho que, no entanto, nunca passará pela fidelização nos combustíveis fósseis. Os combustíveis fósseis são finitos (embora possamos não estar perto desse fim), e são muito sensíveis à especulação do mercado, o que faz com que os seus preços disparem conforme as mudanças de humor dos países produtores.

Uma energia limpa, baseada naquilo que a Terra nos dá todos os dias, permitiria esvaziar essa questão, embora não ficasse totalmente imune das manipulações do mercado e do peso dos impostos, uma das maiores fatias de custos dos combustíveis fósseis hoje em dia (se o governo pretende aumentar-me o ordenado, mas a seguir aumentar os impostos de tal modo que o que pago a mais é a diferença do que o meu ordenado aumentou, então obrigado, mas não são diferentes dos anteriores).

A regulação de uma tecnologia que está ainda em crescimento e desenvolvimento permite que esta seja legislada desde o início. É a oportunidade dos homens de bem fazerem algo verdadeiramente justo. É claro que a eletricidade não será gratuita em todo o lado, e o que hoje se faz, de levar a ficha e pôr o carro a carregar gratuitamente numa qualquer tomada do estacionamento subterrâneo terá os seus dias contados, assim como o abastecimento gratuito em estações de serviço. Mas, mesmo pagando, temos a obrigação de construir um mercado mais justo, que permita o acesso de mais pessoas a uma tecnologia que não apenas ajuda o meio ambiente e o planeta Terra, como abre a possibilidade de, sendo mais barata e natural, conseguir chegar a mais gente com menos custos, aumentando assim a qualidade de muitos, por esse mundo fora.

É certo que as grandes multinacionais ganharão menos, e esses são interesses difíceis de combater, mas chegará o tempo em que olharemos para trás e abanemos a cabeça, incrédulos com todo o mal que fizemos ao nosso planeta.