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Afinal, um católico pode ser presidente
23.01.2017 15:44:00
Há um ano, questionava se um católico teria de ser um presidente católico, ao falar da vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais. Um ano depois, o balanço que se faz desta presidência é claramente positivo em boa parte dos setores da sociedade, e também no católico.


Enquanto presidente, nenhum católico esperaria que Marcelo mudasse a sua residência para o mosteiro de S. Vicente de Fora, ou adaptasse uma agenda católica que discriminaria todos os outros cidadãos do país. Ao Presidente, cabe precisamente garantir que ninguém fica de fora, e isso Marcelo prometeu e tem cumprido.

Num país onde o Presidente da República tem os seus poderes executivos muito diminuídos, este Presidente tem um estilo Obamiano de exercer a sua presidência, com uma agenda que tem sido preenchida de uma forma louca, séria, divertida e, sobretudo, muito próxima. Basta uma rápida leitura no site da Presidência para se perceber que Marcelo quase nunca está sozinho. Desloca-se pelo país para estar com autarcas, populares, visitar instituições, sempre na procura de mostrar o que de bom e de bem-sucedido o nosso país tem. Com uma atenção particular aos mais pobres, carenciados e isolados, Marcelo visita idosos centenários em lares com a mesma dignidade com que recebe o novo secretário-geral das Nações Unidas.

Com muito menos poder efetivo de intervenção na vida política do país do que o presidente dos EUA, nota-se na agenda uma preocupação de chegar a todo o lado e de atender a todos os pedidos, com uma presença física ou uma mensagem. Uma ação dinâmica que contrasta com a presidência anterior, de Cavaco Silva, e que visa sobretudo o trazer para as luzes da comunicação social muitos assuntos, organizações e ações que, de outra maneira, ficariam escondidas no anonimato das escolhas editoriais dos órgãos que preferem ter jornalistas “acampados” à porta de uma prisão durante dias do que irem procurar o que de verdadeiramente bom, inovador e portador de esperança se faz em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa com criança durante a sua visita ao bairro da Cova da Moura, em Lisboa
No que diz respeito ao seu catolicismo, não deixou de o afirmar na abertura do I Fórum Missionário, ao lado de D. Jorge Ortiga, quando disse que se sentia otimista, porque «um cristão é sempre otimista». Marcou-o também, de forma indireta, com a presença em tantos eventos de índole católica ou de instituições ligadas à Igreja Católica, mas sobretudo marca com esta preocupação com o próximo, com o que é bom e positivo. Vetou o diploma das barrigas de aluguer para que o mesmo pudesse conter algumas das recomendações do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, e conseguiu que essas alterações fossem introduzidas, e aprovou o diploma da procriação medicamente assistida, levantando questões sobre a falta de proteção das crianças no processo.

Para além disso, o presidente fez questão de trazer a questão da liberdade religiosa para a esfera mediática, com as suas visitas às diferentes confissões religiosas no país, falando sempre na necessidade de respeito e tolerância na questão religiosa.

O facto de querer chegar a todos e o hábito de, enquanto comentador, se pronunciar sobre tudo, faz com que por vezes se pronuncie em demasia sobre determinados assuntos, ou cometa algumas gaffes. Mas o presidente Marcelo é inclusivo, cheio de otimismo pelo país e procura falar e dar espaço mediático a quem faz o bem, conseguindo, aqui e ali, inclui o aspeto espiritual e religioso numa agenda mediática que negligencia a religião e lhe dá o espaço mínimo necessário. E por isso está de parabéns.
 
Fotos: Ricardo Perna e Presidência da República