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Ano missionário
01.10.2018
Com a publicação de uma Nota Pastoral aprovada na Assembleia Plenária de abril de 2018, a Conferência Episcopal Portuguesa anunciou a celebração de um Ano Missionário para todas as dioceses, de outubro de 2018 a outubro de 2019: «A dimensão missionária estará subjacente às iniciativas pastorais diocesanas e nacionais ao longo do Ano Missionário, que será vivido no encontro com Jesus Cristo na Igreja, na liturgia, no testemunho dos santos e mártires da missão, na formação bíblica, catequética, espiritual e teológica, e na caridade missionária.»
 
Esta decisão acolhe e amplia a realização do Mês Missionário Extraordinário declarado pelo Papa Francisco para outubro de 2019, para celebrar o centenário da Exortação Apostólica Maximum Illud de Bento XV, com a qual este quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho, centenário que ocorrerá a 30 de novembro de 2019.
 
Na carta em que anuncia, com dois anos de antecedência, esta iniciativa, o Papa Francisco propõe precisamente uma caminhada de preparação e sensibilização que envolva as Igrejas Particulares, os Institutos de Vida Consagrada, as Sociedades de Vida Apostólica, as associações, os movimentos, as comunidades e outras realidades eclesiais, e pede que esta celebração «se torne numa ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar de modo particular a oração – alma de toda a missão –, o anúncio do Evangelho, a reflexão bíblica e teológica sobre a missão, as obras de caridade cristã e as ações concretas de colaboração e solidariedade entre as Igrejas, de modo que se desperte e jamais nos seja roubado o entusiasmo missionário».
 
Todos, Tudo e Sempre em Missão, expressão tomada do Santo Padre, é o título do documento dos bispos portugueses: Missão é da essência da Igreja que é, por sua natureza, missionária; Todos em Missão, pois ninguém pode ficar nem ser posto à margem deste dinamismo essencial da identidade eclesial; Tudo em Missão, a indicar que todas as iniciativas e realizações na Igreja só podem ser tidas em missão; Sempre em Missão, dado que esta é permanente, nunca exercida a espaços.
 
Longe de ser uma mera recordação centenária, este Ano Missionário deve ser propício para renovar o sentido de missão da Igreja na sua significação para os mundos existenciais que habita. Longe de se acumularem conjuntos de eventos que até podem cansar nos seus andamentos, este Ano Missionário deve ser assumido na sua essência de contemplação e compreensão da missão como a única que é de Jesus Cristo, na alegria do Evangelho. Longe de ser concorrencial aos programas diocesanos, paroquiais ou congregacionais, este Ano Missionário deve ser assumido como subjacente e transversal a tudo o que se faz em missão, fomentando a construção de comunidades santas e missionárias, sempre a partir da Palavra e da Eucaristia. Na bela síntese do Papa na recente Exortação Apostólica sobre a santidade, «partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária» (142).
 
Este Ano Missionário será vivido em sintonia com a receção das conclusões do Sínodo dos Bispos sobre os jovens. Feliz ocasião para transformar a Igreja em autêntica comunidade missionária, manifestando na luz pascal o seu rosto sempre belo e jovem.