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António, Santo de Lisboa e Doutor da Igreja
16.07.2021
Existem santos desde que existe a Igreja. Pessoas boas, de carácter, que servem de exemplo de fé, dedicação, empenho, a todos quantos professam a fé católica, e não só... E Portugal não foge à regra. São 9 os santos portugueses, canonizados pela Igreja Católica, 10 se contarmos com a exceção de Santa Joana Princesa, que, apesar de ser chamada de santa, é apenas beata.
Para melhor os conhecermos, percorremos o país à procura dos seus locais de origem, do que ainda pode ser visitado, a fim de que se possa conhecer melhor cada um deles. É uma boa sugestão de viagem para a família, pois alia a beleza do nosso país e do património religioso às histórias destas figuras que tanto nos podem inspirar a todos.




É, possivelmente, dos santos mais populares que existem, e também Doutor da Igreja, e dos mais disputados, entre Lisboa, onde nasceu, e Pádua, onde faleceu. Mas Santo António tem uma devoção enorme em Lisboa, cidade de que é padroeiro.

Nascido Fernando de Bulhões, uma família da pequena nobreza, entra aos 18 anos na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, a mesma Ordem de S. Teotónio. Aliás, dois anos depois, vai mesmo para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. É lá que conhece os cinco monges franciscanos que morrem martirizados em Marrocos em 1220, e o seu testemunho leva-o a deixar o mosteiro de clausura e ingressar nos franciscanos, com o objetivo de seguir o exemplo destes mártires, sendo aqui que adota o nome de António, no Convento de Santo Antão dos Olivais, hoje Igreja de Santo António dos Olivais, em Coimbra, onde fica menos de um ano, antes de partir.



Uma tempestade impede-o de regressar a Portugal vindo do Norte de África, e leva-o para Itália, onde irá permanecer até morrer, em Arcella, perto de Pádua. Até lá, a sua oratória e pregação concedem-lhe notoriedade tal que nem apenas um ano passou entre a sua morte e a sua canonização, por causa da sua fama de santidade, milagres e pregações.


Em Lisboa, a sua presença é muito forte, mesmo que tenha saído da cidade tão novo. São-lhe atribuídos milagres como o da ressurreição do morto à porta da Igreja de S. João da Praça, em que, reza a lenda, Sto António estaria a pregar uma homilia em Itália e aparece em Lisboa, à frente do cortejo que se preparava para enforcar o seu pai por alegado homicídio. Segundo a lenda que se conta, Santo António ordenou aoo morto que se levantasse e apontasse o culpado pela sua morte, e ele assim fez, apontando para um homem que estava ao lado do juiz que havia condenado o seu pai. 

Na Capela do Vale de Santo António, erigida numa zona perto de Santa Apolónia, onde se diz que Santo António descansou antes de partir para o Norte de África, é possível ver nas paredes todos os milagres que lhe são atribuídos, assim como uma relíquia do próprio santo.



Na Sé, mantém-se o batistério no local original, onde também o santo foi batizado, mas a pia não é já a mesma. Na escada da torre, que hoje se sobe para aceder à exposição do tesouro da Sé, encontra-se uma cruz marcada na pedra, que se diz foi feita por Santo António quando era criança. Foi um milagre, um dos primeiros de que há registo. Ele era menino do coro e foi atormentado pelo demónio. Então, para afastar o diabo, fez uma cruz na parede e a cruz ainda hoje se vê, como marca da presença de Santo António, acompanhada de um quadro que representa a cena. A mesma cena está também imortalizada nos azulejos de Santa Cruz, em Coimbra (ver imagens acima).



Muito venerada é também a Igreja de Santo António, construída sobre a casa do santo, que conserva ainda o espaço que teria sido o quarto onde nasceu, local de romaria para muitos fiéis devotos do Santo.



Ao lado, o Museu dedicado ao santo mostra vários aspetos da sua vida, como por exemplo o facto de ter sido nomeado militar para combater durante as guerras da restauração da independência, séculos depois da sua morte. A sua imagem era colocada no cavalo, ou nas muralhas defensivas, e a fé dos militares levava-os a vitórias. Chegou até a ter um salário de dez mil reis...

A ele são ainda dedicadas as “causas perdidas”, sendo que a mais conhecida será dos casamentos, mas não só. As imagens mais piedosas do santo sofrem todo o tipo de maus tratamentos, a fim de que o santo possa levar a cabo o que as pessoas lhe pedem e rezam: colocadas de costas para as pessoas, mergulhadas em água, entre outros "tratamentos", assim ficam até que a graça seja alcançada.



No Mosteiro de S. Vicente de Fora, são poucos os vestígios da presença de Santo António, mas significativos: é possível estar onde foi a cela dele, quando se juntou à Ordem dos Cónegos Regrantes, que hoje é uma capela dedicada a ele, e visitar o seu altar na igreja principal, cuja parede toca na parede traseira da sua cela. No altar, além da imagem, é possível observar alguams cruzes marcadas na pedra. Segundo a lenda, terá também sido Santo António, noutros momentos de transcendência, a fazê-las, à semelhança daquela que está na Sé.



Lugares para visitar e conhecer melhor Santo António:
Sé de Lisboa: Largo da Sé, 1100-585 Lisboa
Igreja de S. João da Praça: R. de São João da Praça 53, 1100-135 Lisboa
Capela do Vale de Santo António: rua do Vale de Santo António, 84, 1170-377 Lisboa
Mosteiro de S. Vicente de Fora: Largo de São Vicente, 1100-572 Lisboa
Mosteiro de Santa Cruz: Praça 8 de Maio, Apartado 6024, 3001-801 Coimbra
Igreja de Santo António dos Olivais: R. Brg. Correia Cardoso 10, 3000-083 Coimbra

 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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