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Arcebispo de Lviv: «Consagração só é real se aprendermos a perdoar»
26.03.2022
Na Ucrânia, o Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia foi também rezada com particular fé pelos fiéis. Prevista para o santuário de Nossa Senhora de Fátima em Krysovychi, a expetativa de que haveria muita gente que gostaria de participar fez com que fosse tomada a decisão de abrir as portas da catedral de Lviv para acolher todos quantos queriam rezar pela Consagração do seu país ao Imaculado Coração de Maria.


Vinte minutos antes do início das celebrações, soou o alarme anti-aéreo. «Vinha a pé e soaram os alarmes de ataque aéreo. Os negócios fecharam, mas as pessoas continuaram a sua vida, porque estamos habituados aos alarmes, felizmente não temos tido bombardeamentos», conta-nos o Pe. Mariusz Krawiec, sacerdote paulista residente da Lviv.
 
A catedral encheu, mas poderia ter tido «muito mais gente», conta o sacerdote. «Há muito medo, em especial nas pessoas mais velhas, de sair de casa e de vir a estas celebrações com muita gente, porque se assim não fosse teria estado muito mais gente», diz.
 
As cerimónias foram presididas pelo arcebispo metropolitano de Lviv, D. Mieczys ław Mokrzycki. Ao mesmo tempo, os fiéis tiveram a oportunidade de se ligar ao Vaticano através do ecrã montado no presbitério do templo.
 
Uma hora antes do Papa iniciar a celebração em Roma, o povo em Lviv viveu um tempo de adoração, meditação e oração do Rosário. Depois, a cerimónia seguiu a de Roma. «Tínhamos sacerdotes a confessar, como o Papa, e seguimos o ritmo da celebração em Roma», conta o Pe. Mariusz.

 
Em Lviv, o Ato de Consagração foi rezado pelo arcebispo no final do Rosário, antes do Papa. Isto porque, no momento em que o Papa o pronunciava, foram as suas palavras que ecoaram pela catedral. «Quando o Papa falava, o arcebispo estava junto da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, em silêncio», conta o Pe. Mariusz.
 
Depois da Consagração, a eucaristia foi rezada de forma breve, para permitir que as pessoas regressassem todas a casa antes do início do recolher obrigatório qe está em vigor na cidade. Na curta homilia, D. Mieczys ław Mokrzycki falou sobre a importância do perdão e reforçou a ideia deixada pelo Papa Francisco de que este ato não é algo mágico e imediato. «Não se pode interpretar o to de consagração dessa maneira, fazemos e 1h depois temos paz. Este é um processo, que se constrói todos os dias, de conversão dos nossos corações, para que sejamos capazes de perdoar», referiu o prelado.

 
Este será o «grande desafio espiritual», considera o Pe. Mariusz. «As pessoas estão muito feridas, perderam pessoas muito próximas. Aprender a perdoar será o nosso grande desafio espiritual», considera.
 
Em Kiev, conta esta sacerdote, tudo decorreu de forma semelhante, com a diferença de que a celebração foi muito mais curta, em virtude de o recolher obrigatório entrar em vigor mais cedo naquela cidade.
 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Mariusz Krawiec
 
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